Terça-feira, 8 de setembro de 2026
O radar da região e do país
Economia

Safras da Terminus mostram como madeiras brasileiras mudam a cerveja

Projeto da Daoravida Brewpub testa espécies nacionais e relaciona a escolha da madeira às diferenças entre safras.

Safras da Terminus mostram como madeiras brasileiras mudam a cerveja

A cerveja Terminus, da Daoravida Brewpub, conquistou medalha de ouro na categoria Wood-and-Barrel-Aged Strong Beer do World Beer Cup com a safra de 2026. A receita integra um projeto de maturação prolongada que compara diferentes safras e espécies de madeira, em uma tentativa de identificar como cada material modifica a bebida.

A competição realizada nos Estados Unidos recebeu 8.166 inscrições de 1.644 cervejarias de 50 países. A avaliação foi feita às cegas por 255 jurados. A premiação internacional foi acompanhada por outro resultado: em um concurso realizado em Blumenau, a Terminus 2025 ganhou medalha de prata, enquanto a edição de 2026 recebeu ouro na mesma categoria.

Uma receita, diferentes madeiras

O Projeto Terminus reúne cervejas de safras distintas, mantendo uma receita como ponto de partida para observar as alterações provocadas ao longo do tempo. Até 2023, a produção utilizava carvalho americano. No ano seguinte, a cervejaria passou a testar um blend de castanheira, bálsamo e cumaru, substituindo o carvalho nas safras seguintes.

A Terminus de 2025 foi maturada em bálsamo. Na safra de 2026, a escolha foi a castanheira. A diferença entre as duas bebidas está, entre outros fatores, no material usado durante a maturação. A comparação pode ser feita também entre garrafas guardadas de anos diferentes e degustadas em conjunto.

Castanheira, bálsamo, cumaru e amburana oferecem possibilidades sensoriais distintas. A amburana pode contribuir com aromas associados a especiarias e doces. O bálsamo tende a apresentar características herbais e resinosas, além de taninos perceptíveis. A castanheira pode combinar notas de frutos secos e dulçor com cervejas mais maltadas, enquanto o cumaru tem contribuição mais delicada.

Maturação prolongada

Durante meses de contato, a cerveja extrai compostos da madeira, enquanto pequenas quantidades de oxigênio atravessam o recipiente. O resultado também depende do tempo de maturação, do teor alcoólico, das características da receita e das condições da madeira. Assim, o material deixa de cumprir apenas a função de recipiente e participa da formação de aromas, sabores, taninos e textura.

A fabricação da Terminus pode consumir aproximadamente 30 horas de trabalho, contra cerca de quatro horas de uma receita convencional da cervejaria. Depois dessa etapa, a bebida permanece mais de um ano em maturação. O produto chega a 15,5% de teor alcoólico e foi desenvolvido para ser armazenado e consumido ao longo do tempo.

Para Wagner Falci, cervejeiro da Daoravida Brewpub, o uso de espécies nacionais amplia a pesquisa para além da reprodução de características ligadas ao carvalho. “A ideia é entender o que cada madeira pode fazer pela cerveja e construir uma identidade própria”, afirma.

A Terminus soma 22 medalhas em concursos brasileiros e estrangeiros, incluindo premiações no World Beer Cup, no World Beer Awards, no European Beer Star e no Brussels Beer Challenge. A experiência ainda é pontual no setor, mas explora as características de espécies brasileiras na produção de bebidas maturadas.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.