O mercado global de títulos enfrentou uma nova onda de vendas nesta quinta-feira, com aumento dos custos de financiamento nos Estados Unidos, na França e no Japão. O movimento também atingiu ações e outros ativos, enquanto investidores revisaram suas expectativas para as taxas de juros.
O rendimento do Treasury norte-americano de 10 anos subiu para 5,34%, o maior nível desde 2002. O papel é referência para os custos de empréstimos no mundo e para a precificação de ativos. Até setembro, ele havia registrado o maior avanço trimestral deste século.
A alta dos rendimentos ocorre quando os preços dos títulos caem. Entre os fatores citados estão o encarecimento da energia, que aumenta as pressões inflacionárias, e as expectativas de crescimento associadas à inteligência artificial e à construção de centros de dados. Com juros mais altos, empresas, pessoas com financiamento imobiliário e governos enfrentam custos maiores.
Os títulos de países mais endividados foram os mais pressionados. O rendimento do título francês de 10 anos avançou 10 pontos-base, para 4,96%, após o pior desempenho trimestral desde 1987. O custo do seguro contra a inadimplência da dívida francesa também alcançou o maior nível desde 2013.
Os títulos públicos britânicos de 30 anos superaram 6%, no maior patamar desde 1998. No Japão, os rendimentos dos títulos soberanos tiveram o quinto trimestre consecutivo de ganhos de dois dígitos, em um movimento sem precedentes.
“Os títulos OAT franceses estão sofrendo forte pressão porque é época de orçamento e a situação está complicada”, disse Tim Graf, chefe de estratégia macro para a região EMEA da State Street. Ele também afirmou que os títulos italianos eram duramente atingidos.
Expectativas para os juros
Operadores passaram a esperar pelo menos mais três altas dos juros pelo Federal Reserve até meados de 2027, depois de uma elevação no mês passado. O Banco Central Europeu aumentou as taxas duas vezes neste ano, e os mercados passaram a considerar mais três altas de 25 pontos-base até meados do próximo ano.
O índice europeu STOXX 600 chegou a cair 1,2%, atingindo o menor nível desde junho. As ações de bancos na Europa recuaram até 3%, enquanto um índice de swaps de default de títulos de alto risco alcançou seu maior nível desde o início de abril.
Analistas disseram não identificar um gatilho imediato para a queda dos títulos. Os preços do petróleo permaneciam relativamente contidos, acima de US$100 o barril, e não havia novos dados econômicos capazes de provocar uma reação nos mercados.



