SÃO PAULO — A atividade física pode contribuir para a prevenção e o enfrentamento do câncer de mama, além de ajudar na preservação da autonomia durante o tratamento. A orientação é que cada paciente defina, com a equipe médica, o tipo e a intensidade do exercício adequados à própria condição.
O Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres no país, desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Nesse contexto, a Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama será realizada em 11 de outubro, em São Paulo, com proposta de reunir informação, atividade física e apoio às pacientes.
De acordo com o Dr. Alcides Giacon Neto, mastologista do IBCC Oncologia, manter uma rotina de 150 a 300 minutos semanais de exercícios moderados está relacionado a uma queda estimada de 10% a 20% no risco de câncer de mama. Estudos reunidos pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos também apontaram uma associação: uma análise de 38 estudos de acompanhamento encontrou risco entre 12% e 21% menor nas mulheres mais ativas, em comparação com as menos ativas. Os dados não representam garantia individual de prevenção.
Exercícios durante o tratamento
A prática pode ajudar a reduzir a fadiga, preservar a massa muscular e facilitar a manutenção das atividades cotidianas. Também pode contribuir para o bem-estar emocional e a redução da ansiedade. O médico explica que o cansaço provocado pelo tratamento pode não melhorar apenas com repouso: “Muitas vezes a fadiga causada pelo tratamento do câncer de mama é uma fadiga um pouco diferente, uma fadiga que não melhora descansando, repousando”.
A intensidade e a frequência dos exercícios devem ser ajustadas conforme a fase do tratamento, os medicamentos utilizados e a recuperação de cirurgias. A caminhada pode ser uma opção para muitas pacientes, enquanto a corrida e outras atividades mais intensas exigem avaliação cuidadosa.
Alguns medicamentos usados na quimioterapia podem afetar o coração. Além disso, no período pós-operatório, exercícios de maior intensidade podem precisar ser evitados temporariamente. Por isso, a orientação é conversar com o médico responsável antes de iniciar ou retomar a prática. “Então o ideal é que a paciente busque orientação com o médico que está acompanhando seu caso”, afirma Giacon Neto.
Prevenção e detecção precoce
A manutenção de um peso adequado, a prevenção da obesidade e a redução ou ausência do consumo de álcool estão entre os fatores associados à diminuição do risco. A amamentação também tem efeito protetor.
Prevenir o surgimento da doença e identificá-la cedo são objetivos diferentes. Hábitos saudáveis não substituem a investigação de alterações nas mamas nem os exames indicados conforme as recomendações e a avaliação individual.
Evento em São Paulo
Realizada pelo IBCC Oncologia e organizada pela Yescom, a corrida arrecada recursos para o hospital. O percurso contará com os “Checkpoints de Vida”, espaços com mensagens sobre cuidado com o corpo e detecção precoce. Para o especialista, o encontro também pode favorecer a convivência e o bem-estar, desde que a participação seja compatível com a saúde de cada paciente.
A 64ª Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama ocorrerá em 11 de outubro de 2026, na região do Ibirapuera, em São Paulo. Haverá corridas de 5 km e 10 km e caminhada de 3 km. As inscrições estão esgotadas, conforme o site oficial.
A retirada dos kits será de 6 a 9 de outubro, das 10h30 às 19h, e em 10 de outubro, das 9h30 às 17h, na Rua dos Pinheiros, 1448, em Pinheiros, São Paulo. É necessário apresentar documento original de identificação com foto, físico ou digital. Não haverá entrega de kits no dia da prova.



