Belo Horizonte, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Cota chinesa de carne se esgota, mas preços no Brasil podem continuar subindo

Menor oferta de gado, exportações e consumo doméstico devem limitar a possibilidade de queda no preço da carne.

Cota chinesa de carne se esgota, mas preços no Brasil podem continuar subindo

A conclusão da cota de importação de carne brasileira pela China não deve reduzir os preços no mercado interno. A avaliação é de João Figueiredo, analista da Datagro Pecuária, que aponta a combinação entre menor oferta de gado, retomada das compras chinesas e maior consumo no fim do ano como fatores de sustentação das cotações.

A Administração-Geral de Alfândegas da China informou que as medidas de salvaguarda alcançaram 100% da cota prevista para 2026, equivalente a 1,106 milhão de toneladas. As remessas que chegarem ao país asiático neste ano estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%.

Exportações seguem influenciando o mercado

Mesmo antes do anúncio, o Brasil já havia completado virtualmente a cota, considerando o prazo para os últimos embarques chegarem à China e serem internalizados. A atenção do mercado se voltou para a próxima janela de compras chinesas.

Figueiredo afirmou que os embarques devem ganhar força em outubro e novembro, para que a carne seja internalizada no primeiro dia de janeiro de 2027. Esse movimento já influencia as cotações do boi gordo. No início de outubro, a arroba estava próxima de R$ 365,40, valor perto da máxima histórica de R$ 367 registrada em maio, durante o auge das compras chinesas.

A expectativa do analista é que o pico da demanda chinesa ocorra por volta de meados de novembro. O preço pago pela China será determinante para definir a intensidade de uma eventual valorização.

Oferta de gado deve diminuir

O mercado brasileiro também atravessa um período de menor disponibilidade de animais. O aumento dos abates de fêmeas nos últimos anos abriu espaço para um movimento de retenção, reduzindo a oferta de gado nos períodos seguintes. A projeção apresentada por Figueiredo indica queda de 5,3% neste ano e de 8% em 2027.

“Então, nós estamos em um ciclo de alta, porque vamos ter menos oferta para esse ano e para o próximo”, disse o analista.

A redução da oferta de animais pode afetar também o abastecimento interno, especialmente se as indústrias exportadoras ampliarem os envios para a China. O câmbio é outro componente da formação do preço da arroba. Figueiredo citou a possibilidade de o boi chegar a 400 e relembrou que a arroba atingiu 250 em 2022, período associado a uma forte retração do consumo.

Com a demanda brasileira tradicionalmente mais aquecida no último trimestre do ano, a menor oferta, as exportações e o consumo interno devem limitar o espaço para uma queda dos preços, mesmo com a cota chinesa temporariamente preenchida.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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