CALCUTÁ — A seleção brasileira tem uma das maiores bases de torcedores fora do país em Bangladesh e na Índia. A escolha de Calcutá para o último compromisso do Brasil na Data Fifa, no início do ciclo posterior à Copa de 2026, aproxima a equipe de uma comunidade que acompanha seus jogos a milhares de quilômetros de distância.
Em Bangladesh, Paulo Feres, embaixador do Brasil em Daca, estima que entre 80 milhões e 100 milhões de pessoas torçam pela seleção. A força desse público ficou evidente durante a Copa, quando cidades da região foram tomadas por bandeiras brasileiras, telões e comemorações a cada gol.
A popularidade também se reflete nas redes sociais. O perfil CBF Bangladesh, voltado a torcedores do Brasil em Bangladesh e em outros países do Sul da Ásia, tem 146 mil seguidores. Ariful Islam Rana, um dos administradores, afirma que a relação com a seleção ultrapassa o acompanhamento esportivo e se incorporou à identidade de muitos fãs.
“O Brasil não é apenas mais uma seleção por aqui — para muitas pessoas, faz parte da própria identidade futebolística”, disse Rana.
Uma torcida construída pela história do Brasil
A ligação foi fortalecida pelas grandes equipes brasileiras que disputaram Copas do Mundo, sobretudo a seleção campeã em 2002. Jogadores como Cafu, Ronaldinho, Ronaldo Nazário e Rivaldo ajudaram a formar uma geração de admiradores em Bangladesh.
Rana também relaciona o interesse à falta de uma seleção nacional competitiva no cenário internacional. Índia e Bangladesh ocupam o 138º e o 181º lugares, respectivamente, no ranking da Fifa. Como Bangladesh ainda não disputou uma Copa do Mundo, parte dos torcedores criou uma ligação emocional com o Brasil, associando a equipe à camisa amarela, ao futebol ofensivo e aos jogadores de destaque.
A paixão aparece em ruas e casas decoradas com bandeiras, em passeatas, festas e encontros para assistir às partidas. Torcedores dos dois países também compartilham vídeos, memes e comemorações nas redes sociais. Para Rana, a seleção brasileira funciona como um elo entre comunidades separadas por fronteiras.
Jogo em Calcutá aproxima torcedores
Daca fica a 335 km de Calcutá, e o trajeto de carro entre as duas cidades levaria aproximadamente 7 horas e 40 minutos. A proximidade torna a partida uma oportunidade para fãs de Bangladesh que dificilmente conseguiriam viajar ao Brasil ou a outras regiões do mundo apenas para acompanhar a seleção.
Rana afirma que nunca assistiu pessoalmente a um jogo do Brasil. A possibilidade de ver a equipe em um país vizinho, portanto, tem significado especial para ele e para outros torcedores da região.
“Tornou-se parte de sua identidade e de uma tradição familiar”, disse Rana, ao descrever a relação de muitos fãs com a seleção.
O confronto entre Brasil e Índia representa, assim, a chance de acompanhar a equipe mais de perto para uma torcida que há décadas mantém vínculos com o futebol brasileiro e que costuma se reunir durante as principais competições internacionais.



