PORTO ALEGRE — O Grêmio informou nesta sexta-feira (25) que adotará cautela diante da decisão do Governo Federal de proibir o funcionamento de casas de apostas no país. O posicionamento foi divulgado dois dias depois de o clube formalizar um contrato de patrocínio máster com a Pitaco, anunciado na última quarta-feira (23).
A diretoria aguarda a publicação das regras oficiais para avaliar os efeitos jurídicos e financeiros da medida. Em nota, o clube afirmou que ainda será necessário dimensionar o impacto da decisão sobre as receitas do futebol e sobre os contratos firmados por clubes e entidades esportivas.
“O Grêmio aguardará os desdobramentos do tema nos próximos dias”, informou a agremiação.
Contrato e proteção jurídica
O acordo com a Pitaco prevê R$ 140 milhões ao Grêmio ao longo de três temporadas. A proibição, porém, gera incerteza sobre o cumprimento integral da previsão financeira. O contrato inclui cláusulas de proteção mútua para situações de rompimento involuntário provocado por força legal, mas ainda não há definição sobre eventuais compensações indenizatórias.
O clube também havia apoiado o documento “O Fim do Futebol Brasileiro”, elaborado em conjunto com outras diretorias. O texto alertava para a importância dos recursos de empresas de apostas na sustentação de clubes de diferentes portes e de campeonatos regionais.
As negociações do patrocínio foram conduzidas pelo CEO do Grêmio, Alex Leitão. A gestão analisou propostas de outros setores, incluindo o automotivo, antes de escolher a oferta da Pitaco. A assinatura ocorreu enquanto já havia declarações públicas da Presidência da República sobre a restrição às plataformas virtuais.
A proibição será implementada por Medida Provisória. Para se tornar lei de forma definitiva, o texto precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 120 dias. O Poder Executivo também planeja encaminhar um projeto de lei específico para estabelecer punições a quem promover ou divulgar jogos de azar não regulamentados no país.



