CANOAS — O Cavalo Caramelo demonstrou curiosidade e interesse pela égua Hora Extra, escolhida para participar de um projeto de reprodução na unidade da Ulbra. Os dois animais ainda não foram colocados juntos e permanecem em piquetes vizinhos, onde podem se enxergar e ficar próximos.
A égua chegou ao campus na quarta-feira (9), após um deslocamento de cerca de uma hora desde uma propriedade rural em São Sebastião do Caí. A escolha levou em conta principalmente o bem-estar dos animais e a distância até Canoas. Outras propriedades demonstraram interesse, mas ficavam mais longe e exigiriam deslocamentos maiores.
“O Caramelo se demonstrou bastante interessado, relinchando, a gente vê que ele tem interesse”, afirmou a médica veterinária Laura Cezimbra, diretora da unidade. Segundo ela, a reação é um indicativo positivo para a iniciativa, já que a capacidade reprodutiva do cavalo nunca havia sido avaliada.
Adaptação da égua
Descrita como dócil e tranquila, Hora Extra tem seis anos e cerca de 350 quilos. Ela chegou em boas condições de saúde, mas deverá receber alimentação complementar nos próximos dias. Como vivia solta no campo, está mais magra e com bastante pelagem. A equipe pretende melhorar suas condições físicas para uma eventual gestação.
A égua permaneceu calma durante a chegada e agora passa pelo período de adaptação no espaço ao lado de Caramelo. Exames médicos também serão realizados nos primeiros dias. A origem do nome Hora Extra não é conhecida pela equipe; a denominação foi informada pelos antigos proprietários.
A proposta de permitir que Caramelo tenha um filhote surgiu da relação criada entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. De acordo com Laura, os seguidores pedem atualizações sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhar novas etapas.
Caramelo é um garanhão, ou seja, um cavalo macho não castrado, e por isso não pode conviver livremente em grupo. Ainda assim, mantém contato próximo com outros equinos do campus, incluindo fêmeas. A veterinária explicou que a iniciativa não está ligada à preservação genética, mas ao significado afetivo que o animal passou a representar para muitas pessoas depois da enchente.
Rotina no campus
Hoje, Caramelo tem cerca de 11 anos e vive no campus da Ulbra, em Canoas. Ele ganhou um piquete exclusivo de 250 metros quadrados, onde passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama. À noite, fica em um espaço protegido; durante o dia, permanece solto no próprio piquete.
O local também permite a visitação do público e é usado em atividades dos estudantes de Medicina Veterinária.
O resgate de Caramelo foi realizado pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, com acompanhamento de veterinários. O cavalo precisou ser sedado para que o bote não virasse durante o trajeto. Depois, foi levado a um hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor o líquido perdido enquanto permaneceu ilhado.
O cavalo crioulo é animal-símbolo do Rio Grande do Sul e é considerado patrimônio cultural desde 2002.
