Em Eugênio de Castro, no Noroeste do Rio Grande do Sul, uma Chama Crioula é mantida acesa continuamente há 35 anos por tradicionalistas. A preservação do fogo exige acompanhamento diário e o uso de 12 a 15 metros cúbicos de lenha ao longo de 12 meses.
No último ano, a responsabilidade ficou com a família Hartfeil. A rotina inclui verificar as brasas durante a madrugada e colocar madeira mais espessa para evitar que o fogo se apague. O agricultor Valdir Hartfeil resumiu o cuidado: "A gente bota uma madeira mais grossa e aí, quando a gente acorda de noite, vem da uma olhada. Como diz o gaucho: bater os tição".
Tradição e convivência
A iniciativa teve início no começo da década de 1990. Gelson Mendes Teixeira, patrão do CTG Querência da Pátria, afirma que tradicionalistas solicitaram ao MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) autorização para manter a chama depois do 20 de Setembro. Desde então, o fogo permanece em alguma propriedade dentro do município de Eugênio de Castro.
Além da manutenção da chama, o espaço se tornou um ponto de encontro para os moradores. As reuniões reúnem comida, chimarrão e música gaúcha, com a proposta de preservar a história e transmitir o legado às novas gerações.
A estudante Gabriela Hartfeil considera que a continuidade do costume depende do vínculo das novas gerações com a cultura tradicionalista.



