PORTO ALEGRE — Andrew Heger Ribas, condenado pelos assassinatos do avô e da companheira dele, continua foragido depois de deixar o Instituto Psiquiátrico Forense (IPF). A fuga ocorreu em 9 de junho, conforme a Polícia Penal, e o mandado de recaptura foi expedido no dia seguinte.
Uma semana antes, a Justiça havia revogado a internação de Andrew no instituto após um pedido de habeas corpus. A decisão determinou a transferência dele para um presídio comum. O advogado André von Berg afirmou que não voltou a ter contato com o cliente e negou qualquer participação na evasão. “sem qualquer participação ou conivência com a evasão”, declarou a defesa.
O homem foi condenado em agosto do ano passado por um crime ocorrido em Cachoeirinha em 2022. As vítimas eram Rubem Affonso Heger, avô de Andrew, e Marlene dos Passos Stafford Heger, companheira dele. Rubem tinha 85 anos, e Marlene, 53. Os corpos nunca foram localizados.
Investigação e condenação
O crime ocorreu em 27 de fevereiro de 2022. Segundo a Polícia Civil, Andrew e a mãe dele, Cláudia de Almeida Heger, saíram de Canoas, onde moravam, para almoçar com Rubem e Marlene em Cachoeirinha.
Em depoimento, Cláudia afirmou que havia levado o pai e a companheira dele para passar alguns dias em Canoas. Disse também que saiu para ir a uma unidade de saúde e, ao retornar, não encontrou mais o casal.
Na delação, Andrew relatou que viu o avô e Marlene adormecerem no sofá da casa. De acordo com a versão apresentada por ele, os corpos foram retirados do imóvel por Cláudia. Ainda em 2022, a polícia informou que ela colocou colchões nas portas da garagem para impedir a visão de quem passava pela rua. A movimentação foi registrada por câmeras de segurança.
Andrew também contou que, em Canoas, os corpos foram colocados em uma churrasqueira e permaneceram queimando por 36 horas, com lenha e carvão. Depois, as cinzas e os restos mortais teriam sido levados para uma área de mata perto do Rio Gravataí.
Cláudia e Andrew foram presos e indiciados em maio de 2022, quase três meses depois do desaparecimento. O júri condenou Andrew por dois homicídios qualificados, ocultação de cadáver, fraude processual, maus-tratos a animais e resistência à prisão. A pena deve ser cumprida em regime fechado, e cabe recurso.
Cláudia também respondia pelo assassinato do pai e da madrasta, mas morreu em março de 2025 por complicações relacionadas a comorbidades, entre elas diabetes, obesidade, hipertensão arterial e infecção do trato urinário. A defesa de Andrew afirmou que as circunstâncias da fuga devem ser apuradas pelas autoridades, incluindo os protocolos de segurança, a fiscalização e eventual falha na vigilância.



