PORTO ALEGRE — A empresária Patrícia Coelho Fernandes, de 25 anos, deve passar por uma quarta cirurgia na próxima semana para tratar uma infecção associada a um preenchimento glúteo com ácido hialurônico. O novo procedimento deve incluir a recolocação de drenos, segundo ela.
O preenchimento foi realizado em 3 de agosto, em Porto Alegre. Patrícia já passou por três cirurgias para tratar infecções nos dois lados dos glúteos. A primeira ocorreu em 18 de agosto; as outras foram feitas em 27 de agosto e 1º de setembro.
“Eu estou melhorando, em tratamento”, afirmou a empresária. Ela relata que uma das regiões ficou mais funda depois das intervenções e que ainda não sabe se terá coragem de realizar uma cirurgia reparadora. A extensão definitiva das alterações depende da cicatrização e de avaliação médica.
Patrícia afirma que os primeiros sintomas começaram durante o procedimento. Na madrugada de 4 de agosto, segundo o relato, ela teve tremores, suor, fraqueza e desmaios em casa. O marido a levou ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre.
A paciente permaneceu internada por alguns dias no HPS e recebeu alta após os primeiros exames. Com a piora da dor e do inchaço, procurou o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Em 15 de agosto, foi internada no Hospital Moinhos de Vento, conforme a documentação médica apresentada no processo.
Na cirurgia de 18 de agosto, houve drenagem de secreção e retirada de tecido comprometido. O material coletado identificou a bactéria Enterobacter bugandensis. Patrícia afirma que os médicos explicaram que parte do tecido havia sido afetada pela infecção e precisava ser removida. O procedimento é chamado de debridamento.
A empresária recebeu alta do Hospital Moinhos de Vento em 2 de setembro e continua o tratamento em casa. No mesmo dia, foi distribuída à Justiça uma ação por danos morais e materiais contra Carolina Machado Ramos e a Boto Lips Centro Estético Ltda.
Versões apresentadas no processo
A clínica afirmou que utilizou ácido hialurônico regular, mantém a documentação do produto e adota protocolos de assepsia, biossegurança e armazenamento. Também declarou que Carolina Machado Ramos é biomédica habilitada em Estética e inscrita no Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região, sob o CRBM-5 nº 2007.
Segundo a empresa, Patrícia foi orientada a não fazer um bronzeamento que havia programado, mas realizou bronzeamento a jato em outro estabelecimento menos de 30 minutos depois de deixar a clínica. A Boto Lips disse que a apuração deve considerar as condutas adotadas no período posterior ao procedimento e que o caso ainda está em discussão judicial, sem decisão sobre eventual responsabilidade.
“A clínica adota protocolos rigorosos de assepsia e biossegurança, além dos cuidados de armazenamento dos produtos”, afirmou a empresa em nota.
A advogada Diandra Duflot de Abreu, que representa Patrícia, contestou essa versão. Segundo ela, o bronzeamento foi recomendado e oferecido pela própria biomédica para amenizar as marcas roxas. A advogada também afirmou que as médicas responsáveis pelo tratamento hospitalar descartaram a possibilidade de o bronzeamento ter provocado a infecção.


