Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pesquisadores identificam novo felino nas florestas montanhosas da Bolívia

Estudo liderado pelo professor Eduardo Eizirik também descreveu uma nova subespécie encontrada nas Yungas do Peru.

Pesquisadores identificam novo felino nas florestas montanhosas da Bolívia
Foto: Paola Nogales-Ascarrunz e Giordano Toldo/PUCRS

Uma pesquisa liderada pelo professor brasileiro Eduardo Eizirik identificou uma nova espécie de felino selvagem nas florestas montanhosas da Bolívia. Batizado de Leopardus tilcayo, o animal é a primeira nova espécie de felino descoberta em mais de 100 anos.

O estudo foi publicado na revista científica Current Biology e também descreveu uma nova subespécie, denominada Leopardus tigrinus antisuyo, encontrada nas Yungas do Peru. A pesquisa envolveu cientistas de diferentes países e levou aproximadamente 3 anos entre a obtenção dos primeiros dados e a publicação.

Professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, Eizirik afirmou que esperava repercussão nos meios científicos e entre o público, mas não imaginava que ela seria tão ampla. “Foi algo muito surpreendente”, disse.

Como o animal foi identificado

O Leopardus tilcayo foi reconhecido depois que um filhote foi encontrado por um morador local em 2016, na região de Nor Yungas, na Bolívia. O animal foi levado ao refúgio La Senda Verde, onde passou a ser analisado.

A investigação genética mostrou que o felino não pertencia à espécie inicialmente considerada, a Leopardus tigrinus. Os dados indicaram que se tratava de uma linhagem evolutivamente distinta e desconhecida até então.

O trabalho reuniu análises conduzidas por Jonas Lescroart, aluno de doutorado e coautor do artigo, que já estudava os genomas de felinos de várias regiões da América do Sul. Ao mesmo tempo, Eizirik e a pesquisadora boliviana Paola Nogales-Ascarrunz pesquisavam o tema. Os grupos se uniram para analisar as amostras.

Segundo Eizirik, os animais são exemplos do que a ciência chama de espécie críptica: têm aparência muito semelhante, mas são geneticamente diferentes e seguem histórias evolutivas independentes há centenas de milhares ou até milhões de anos. Por causa da semelhança visual, espécies distintas foram confundidas e classificadas como uma só durante muito tempo.

O professor também defendeu a valorização da ciência para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade. Ele afirmou que milhares de espécies ainda são desconhecidas e que muitas estão ameaçadas de extinção devido aos impactos humanos. Para Eizirik, a repercussão internacional do projeto pode dar visibilidade à ciência brasileira e estimular investimentos públicos e privados na área.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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