BOLÍVIA — Um estudo identificou uma nova espécie de felino selvagem nas florestas montanhosas do país. Batizado de Leopardus tilcayo, o animal foi reconhecido após a análise genética de um filhote encontrado por um morador local em 2016, na região de Nor Yungas, e levado ao refúgio de animais La Senda Verde.
A pesquisa também descreveu uma nova subespécie, Leopardus tigrinus antisuyo, presente nas Yungas do Peru. Os dois animais fazem parte de uma complexa árvore genealógica de gatos selvagens sul-americanos, mas não são os parentes mais próximos entre si.
Participação brasileira
O estudo contou com a participação de Eduardo Eizirik, pesquisador e professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Graduado em Ciências Biológicas, ele tem mestrado em Genética e Biologia Molecular pela UFRGS, doutorado em Biologia pela Universidade de Maryland em College Park, nos Estados Unidos, e pós-doutorado, concluído em 2003, em Genética Evolutiva no Laboratório de Diversidade Genômica do Instituto Nacional de Câncer, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.
Eizirik explicou que os gatos-do-mato podem ser classificados como espécies crípticas: animais de aparência muito semelhante, mas geneticamente distintos e com histórias evolutivas independentes. “Essa semelhança visual fez com que diferentes espécies fossem, durante muito tempo, confundidas e classificadas como uma só”, afirmou.
A publicação do estudo na revista científica Current Biology altera a compreensão sobre a diversidade desse grupo de felinos. A descoberta do Leopardus tilcayo ocorreu depois que a genética mostrou que o filhote não pertencia à espécie inicialmente considerada, Leopardus tigrinus, mas a uma linhagem evolutivamente distinta e desconhecida até então.
Os pesquisadores afirmam que o reconhecimento das espécies é relevante para a conservação, diante de ameaças como perda de habitat, caça e doenças transmitidas por animais domésticos. “Descobrir e entender estas espécies é vital para que também saibamos como protegê-las”, concluiu Eizirik.


