A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu o arquivamento da iniciativa de Paulo Gonet para anular um relatório da Polícia Federal relacionado ao Banco Master. A entidade também quer que o procurador-geral da República declare-se impedido de participar da apuração sobre o documento.
O relatório foi produzido por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e menciona uma relação entre Alexandre de Moraes, Gonet e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A ADPF sustenta que os delegados e servidores responsáveis pelo material apenas cumpriram a ordem judicial, dentro dos limites estabelecidos pelo ministro.
A associação afirma que o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria Geral da República deve ser arquivado “por ser via inadequada ao questionamento de ato do STF”. Também defende que os fatos investigados pela operação Compliance Zero sejam apurados integralmente, sem distinção entre as autoridades envolvidas.
Controle da investigação
A PGR informou ao Supremo que abriu uma apuração para verificar possível interferência na elaboração do relatório. Gonet argumentou que não havia sido comunicado sobre a determinação de Mendonça relacionada ao documento.
O procedimento de controle externo da atividade policial foi determinado pelo presidente do Tribunal, Edson Fachin, para verificar se houve ilegalidade nas investigações sobre o Banco Master. Na 5ª feira (3.set.2026), Fachin afirmou que o pedido da PGR para anular atos de Mendonça tornava necessária uma investigação sobre a atuação do ministro.
A PGR acusa Mendonça de ter ultrapassado suas funções ao direcionar as investigações e buscar fatos contra Moraes. Para Gonet, houve abuso de autoridade na condução da relatoria do caso do Master.
O procurador-geral também questionou a decisão de Mendonça de determinar uma investigação sobre o celular de Vorcaro. O procedimento identificou conversas entre o fundador do banco e Moraes, mas, segundo a argumentação apresentada por Gonet, a medida foi tomada sem comunicação à PGR, o que teria impedido o controle do Ministério Público sobre a atividade da Polícia Federal.
A ADPF declarou ainda que a abertura da apuração tem efeito intimidatório sobre os investigadores. A entidade pediu que o trabalho sobre os fatos relacionados à operação Compliance Zero prossiga sem seletividade quanto às autoridades envolvidas.



