O crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD) em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ampliou a pressão sobre Friedrich Merz. Após o encerramento da votação neste domingo (20/09), o chanceler federal afirmou que pretende continuar governando a Alemanha e apresentou reformas como resposta ao avanço da ultradireita.
Merz reconheceu que o país atravessa uma situação difícil, mas disse que seu governo manterá a responsabilidade de enfrentar os problemas. “Assumo essa responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar”, declarou. Ele também afirmou que as mudanças exigirão coragem, firmeza e paciência.
O chanceler disse estar convencido de que as reformas poderão melhorar a convivência no país, além da autoimagem da Alemanha e da percepção internacional sobre o país. Para Merz, a capacidade de realizar essas mudanças também funcionaria como reação ao avanço de ideias autoritárias na sociedade.
Resultados pressionam a CDU
As eleições regionais tiveram impacto além dos estados envolvidos porque são consideradas relevantes para o futuro político de Merz. A popularidade do chanceler está em baixa, e ele enfrenta questionamentos crescentes dentro da União Democrata Cristã (CDU), partido que preside.
Pesquisas de boca de urna indicam desempenho fraco da CDU nas duas disputas. Em Berlim, a legenda, que governa a cidade-estado em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), deverá obter cerca de 20% dos votos, aproximadamente oito pontos percentuais abaixo do resultado anterior. Com isso, pode ficar atrás de A Esquerda.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU aparece com 5,4% nas pesquisas. O partido corre o risco de não conquistar assentos na Assembleia Legislativa se não atingir os 5% exigidos pela cláusula de barreira. Merz lamentou o resultado da legenda no estado.
AfD avança, mas não deve governar
A AfD teve forte crescimento nos dois estados que realizaram eleições. Ainda assim, não deverá chegar ao governo em nenhum deles, mesmo que vença em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Os demais partidos, com exceção da Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), rejeitam uma coalizão com a ultradireita.
As pesquisas apontam que seria possível formar governos sem a AfD em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O partido já havia obtido quase 44% na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, resultado que aumentou a cobrança sobre Merz.
Em novembro de 2018, quando disputava a presidência da CDU, Merz havia prometido reduzir pela metade o apoio eleitoral à AfD sob sua liderança. Na Saxônia-Anhalt, porém, a votação da legenda dobrou. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as pesquisas indicam possibilidade semelhante; em Berlim, a AfD pode alcançar 15,7%.



