BRASÍLIA — Produtores brasileiros de algodão apresentaram aos candidatos à Presidência, no dia 21, uma agenda de prioridades para o ciclo 2027-2030. Elaborado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o documento propõe uma política nacional de valorização das fibras naturais e medidas para ampliar a competitividade da cotonicultura.
Intitulada “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos”, a proposta defende que a cadeia do algodão seja reconhecida como ativo estratégico para o desenvolvimento do País. A entidade pede que a competitividade do setor seja tratada como política de Estado, com articulação entre produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
Entre as medidas apresentadas estão incentivos à inovação e à indústria têxtil nacional, compras públicas sustentáveis, desenvolvimento de materiais de base biológica e ações para conscientizar sobre os benefícios das fibras naturais. A Abrapa também propõe políticas para novas aplicações e para melhorar o desempenho e a usabilidade dessas fibras, inclusive em combinações com outras matérias-primas.
O documento inclui a defesa de pesquisas sobre possíveis impactos das fibras sintéticas e dos microplásticos na saúde e no meio ambiente. A associação afirma que a valorização das fibras naturais continuará entre suas prioridades institucionais na próxima legislatura, no Congresso Nacional, no governo federal e nos ministérios relacionados ao tema.
A agenda ainda aborda fertilizantes, bioinsumos, segurança jurídica, estabilidade regulatória, reforma tributária, abertura comercial, infraestrutura, logística e modernização da política agrícola. A Abrapa considera a dependência de fertilizantes importados uma vulnerabilidade diante de oscilações cambiais, tensões geopolíticas e restrições nas cadeias globais de suprimentos. A entidade também defende a conclusão da regulamentação da lei dos bioinsumos.
Nas áreas de financiamento e comércio exterior, as propostas incluem ampliar o seguro rural, facilitar o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais, criar novas fontes de recursos e acelerar negociações comerciais. A associação também pede maior atuação diplomática e sanitária contra barreiras tarifárias e não tarifárias, além da diversificação dos destinos do algodão brasileiro.
O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, disse que o Brasil conquistou protagonismo no algodão mundial e que o setor precisa de segurança para investir, produzir e competir. As 11 associações estaduais participaram da elaboração. A entidade representa produtores responsáveis por 99% da área plantada, 99% da produção nacional e 100% das exportações brasileiras da fibra.



