Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Casas de apostas avisam clubes sobre contratos e estudam recorrer à Justiça

Operadoras aguardam medida provisória do governo e avaliam rescindir acordos caso todas as bets sejam proibidas no Brasil.

Casas de apostas avisam clubes sobre contratos e estudam recorrer à Justiça

Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a alertar as equipes sobre possíveis rescisões imediatas dos contratos comerciais. Na Série A, 14 dos 20 times exibem marcas de bets no principal espaço das camisas.

Corinthians, São Paulo e Fluminense estão entre os clubes notificados. O Corinthians tem contrato com a Esportes da Sorte, no valor anual de R$ 150 milhões. São Paulo e Fluminense são patrocinados pela Superbet, que prevê R$ 80 milhões para o clube paulista em 2026 e R$ 53 milhões para o carioca, com possibilidade de chegar a R$ 86 milhões.

A reação das empresas depende do conteúdo da medida provisória em preparação pelo governo. Se a restrição atingir somente cassinos online e jogos de azar, como o “Tigrinho”, os contratos deverão ser renegociados. Caso a proibição alcance toda a operação de bets no país, as operadoras consideram inevitável o encerramento dos acordos de patrocínio.

Executivos e representantes do setor afirmam que as empresas pretendem recorrer à Justiça assim que a medida for decretada, sob o argumento de inconstitucionalidade. Um escritório de advocacia já foi contratado.

Os contratos de patrocínio com clubes somaram mais de R$ 1 bilhão em 2025. Considerando os acordos daquele ano, o total chegou a R$ 1,14 bilhão, equivalente a 7,9% das receitas dos clubes. Os 20 times registraram R$ 14,9 bilhões em faturamento e tinham endividamento de R$ 14,3 bilhões.

A Betano, que dá nome ao Brasileirão, lidera o mercado de apostas no país, com 25% de participação, e paga R$ 268 milhões por ano ao Flamengo. A empresa afirmou que monitora “com muita preocupação” a discussão e que tomará decisões no momento apropriado. A Sportingbet, que também patrocina o Vasco, pagou R$ 120 milhões ao Palmeiras em 2025, dos quais R$ 100 milhões eram fixos.

Clubes das duas divisões buscaram o governo federal para negociar dívidas com juros menores e prazos mais longos. A iniciativa é liderada por dirigentes de Corinthians, Internacional e Atlético Mineiro. O BNDES estuda abrir uma linha de crédito para os clubes, mas o formato do auxílio ainda não foi definido.

O Internacional rescindiu em 2025 um acordo de R$ 50 milhões com a Alfa e cobra valores na Justiça. O Grêmio também passou por rescisão, mas acertou o recebimento de R$ 12 milhões atrasados. Depois de nove meses sem patrocinador máster, o clube anunciou nesta quarta-feira uma parceria de três anos com a Pitaco, no valor anual de R$ 46 milhões.

Os clubes receberam informações sobre duas versões possíveis da medida: uma restrita aos cassinos online e outra com a proibição de “todas as apostas de quota fixa no Brasil”. Nesta quarta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Dario Durigan, Bruno Moretti e Miriam Belchior para avaliar o tema. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada no mesmo dia registrou apoio de 75% dos brasileiros à proibição e oposição de 17%.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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