O governo pretende reunir representantes de clubes para avaliar os efeitos da proibição das apostas esportivas sobre o futebol. A primeira etapa será um diagnóstico dos prejuízos relacionados a patrocínios e dos contratos que podem ser encerrados ou revisados após a mudança nas regras.
A reunião deverá contar com uma comissão formada por dirigentes. Ainda não foi definido que tipo de apoio poderá ser oferecido às equipes. A discussão deve considerar a dependência financeira criada pelos contratos com empresas de apostas e identificar alternativas para reduzir os impactos.
Peso dos contratos de apostas
Levantamento da Sports Value mostra que as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país em 2025. O montante representou cerca de 36% das receitas de marketing dessas equipes.
A participação foi ainda maior em alguns clubes. No São Paulo, os contratos com empresas do setor corresponderam a 73% da receita de patrocínios no período.
O Flamengo recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e informou que não tem um plano alternativo para substituir imediatamente esse valor no orçamento. Já o Fluminense foi comunicado pela Superbet sobre a possibilidade de rompimento do contrato, que prevê pagamentos de R$ 58 milhões por ano até 2029.
Regras para retirada dos valores
A proibição passou a valer com a publicação da medida provisória. Desde então, as plataformas estão impedidas de receber novos depósitos e apostas. Os sites e aplicativos continuam disponíveis apenas para permitir o resgate dos valores mantidos pelos usuários.
Pelas regras da MP, os apostadores poderão retirar voluntariamente o dinheiro até 23h59 de 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, as plataformas deverão sair do ar. Valores que permanecerem nas contas serão identificados e devolvidos por meio de instituições financeiras, com possibilidade de intermediação da Caixa Econômica Federal em casos de impedimento.
A medida prevê fiscalização contra plataformas que continuarem operando ilegalmente, incluindo o bloqueio de sites e de contas usadas em movimentações relacionadas às apostas. O governo também pretende enviar ao Congresso um projeto de lei para criminalizar a exploração de apostas on-line.




