O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu manter Paulo Gonet na condução dos processos relacionados às fraudes no Banco Master. A permanência foi aprovada por 9 votos a 0, na mesma sessão em que o colegiado rejeitou a abertura de investigação contra o procurador-geral da República.
O pedido havia sido apresentado pelo Partido Novo, que acusava Gonet de prevaricação e solicitava seu afastamento das apurações sobre o caso. A proposta de investigação foi derrotada por cinco votos a quatro nesta sexta-feira (25 de setembro).
Mensagens e manifestação de Gonet
O nome do procurador-geral apareceu em conversas encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, que está preso. O conteúdo veio a público depois que André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de parte da investigação. O material também inclui mensagens de Vorcaro para um celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Gonet aparece em uma fotografia com Vorcaro e outras pessoas durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. Ele negou ter proximidade com o ex-banqueiro e afirmou que a interação entre os dois foi “brevíssima e banal”. Não há indícios de que o procurador tenha interferido nas investigações.
Votos no conselho
O relator Francisco Sanseverino e os subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenburgo Chateaubriand e Nicolau Dino votaram contra a abertura da investigação. Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos defenderam a apuração.
Chateaubriand afirmou que Gonet só poderia ser afastado pela Justiça e disse não haver indícios de “amizade íntima” entre o procurador e Vorcaro. Ana Borges avaliou que o caso Master pode ser considerado um “escândalo de corrupção” no setor financeiro. Para ela, Gonet não deveria ter pedido ao Supremo a anulação do relatório da Polícia Federal que revelou as menções ao seu nome. A subprocuradora também disse haver elementos suficientes, em tese, para caracterizar dolo específico e autorizar uma investigação criminal por prevaricação.



