Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Crise no STF abre disputa política em torno de André Mendonça

Aliados de Lula evitam defender diretamente Moraes e concentram esforços para questionar a atuação de Mendonça no caso Banco Master.

Crise no STF abre disputa política em torno de André Mendonça

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ter o ministro André Mendonça como um dos principais focos da disputa política. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam críticas ao magistrado depois que ele retirou o sigilo de documentos relacionados à relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na terça-feira (1º), Mendonça tornou públicos materiais reunidos pela Polícia Federal, incluindo mensagens, contratos e registros. A estratégia de integrantes da campanha petista é associar a decisão a uma ação eleitoral favorável a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Parlamentares e lideranças ligadas ao governo também passaram a questionar a condução dos procedimentos pelo ministro.

Disputa no Supremo

Apoiadores de Moraes defendem a nulidade dos atos de Mendonça. O argumento é que ele teria aprofundado uma investigação envolvendo outro integrante do STF sem consultar o plenário. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou posição semelhante ao se manifestar sobre uma consulta feita por Mendonça.

Na quinta-feira (3), Moraes pediu ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news. O pedido foi baseado em relatório da Polícia Federal que critica a atuação do ministro nos inquéritos relacionados ao Banco Master e ao INSS. A expectativa é que o plenário presencial analise o caso na próxima semana.

Gilmar Mendes já havia classificado como “erro crasso” a participação de Mendonça nas tratativas sobre uma possível delação de Vorcaro. Para ele, esse tipo de negociação caberia ao Ministério Público ou à Polícia Federal.

Sinais públicos do governo

Lula tentou atribuir ao governo o mérito pelas investigações do Banco Master em um vídeo publicado na noite de quinta-feira (3). O presidente defendeu que as apurações alcancem qualquer autoridade e evitou uma defesa direta de Moraes.

Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha, adotou linha semelhante em vídeo divulgado um dia antes. Sem citar Moraes ou Vorcaro, afirmou que o “sistema apodreceu” e defendeu mudanças nos sistemas político e judicial. Gleisi Hoffmann também declarou que um processo de impeachment contra ministro do STF pode ser aberto quando houver crime que o justifique.

Nos bastidores, Lula se reuniu com Gilmar Mendes no Palácio do Planalto e, na mesma noite, com Fachin no Palácio da Alvorada. Flávio Dino participou das conversas. O governo precisa preservar sua relação com o STF e com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto acompanha o efeito da crise sobre o eleitorado.

Reação no Congresso e nas redes

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu às cobranças da oposição pelo andamento do impeachment de Moraes. Ele mencionou o pedido de R$ 130 milhões para o filme Dark Horse e questionou a concentração das acusações no ministro.

Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu a retirada do sigilo de toda a investigação, para evitar “vazamentos seletivos”. José Dirceu pediu que Mendonça se declarasse impedido no caso envolvendo Vorcaro. A cobrança considera um encontro entre o ministro e o banqueiro em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo, que durou cerca de 20 a 30 minutos.

Nas redes sociais, aliados de Lula divulgaram um áudio em que o advogado Ciro Rocha Soares aparece ao lado de Vorcaro. O conteúdo menciona a ida de Mendonça a uma alfaiataria em Brasília. O ministro apresentou notas fiscais em nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça, para contestar a suspeita de que teria recebido ternos como presente.

Também foram divulgados materiais envolvendo Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira (PL-MG). O deputado negou proximidade com Vorcaro e irregularidades. Avaliações de Adriano Gianturco, do Ibmec, e Leonardo Barreto, da Think Policy, apontam que a disputa procura deslocar o centro da crise para a atuação de Mendonça.

A avaliação de especialistas é que Lula pode se afastar de Moraes caso a associação prejudique sua candidatura. Hilton Fernandes, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), afirmou que o episódio pode afetar a eleição e provocar novos conflitos entre ministros, com possíveis desdobramentos em investigações sobre o filme Dark Horse e o INSS.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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