A sessão do Supremo Tribunal Federal sobre os relatórios que envolvem Alexandre de Moraes e André Mendonça foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A suspensão, solicitada por Dino, pode durar 90 dias e ocorreu antes de uma decisão definitiva sobre a reunião dos dois casos.
O debate começou com uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O ministro propôs que os processos fossem analisados juntos em uma sessão no dia 23. O pedido não foi decidido de forma definitiva, mas Edson Fachin anunciou um resultado provisório de 4 a 3 contra o julgamento conjunto.
Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram contra a proposta. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes foram favoráveis. O voto de Dino não entrou na contagem provisória: embora tenha indicado apoio à análise simultânea, ele pediu vista do caso.
Questionamentos sobre a investigação
Dino argumentou que o relatório da Polícia Federal sobre Moraes foi produzido a pedido de Mendonça, que era o relator da investigação relacionada ao Banco Master. Posteriormente, Fachin afastou Mendonça e assumiu a condução do caso. Para Dino, o presidente do Supremo não teria essa prerrogativa. No plenário, afirmou que houve “sacrifício dos ritos” e do devido processo legal.
Moraes sustentou que os relatórios referentes a ele e a Mendonça têm elementos em comum e deveriam ser instruídos e julgados conjuntamente. A sessão foi retomada por volta de 15h30, com debates entre Gilmar Mendes e Dino.
A possibilidade de reunir os casos já havia sido levantada por Gilmar na última semana. Em ofício encaminhado a Fachin na última sexta-feira (11), o ministro sugeriu que os documentos fossem analisados em uma data futura e afirmou não ter certeza de que o tema estava pronto para julgamento.
Dias Toffoli não participou da votação. Ele permaneceu no plenário, mas se declarou suspeito e havia se afastado dos casos ligados ao Banco Master em março. Kassio Nunes Marques também não votou: declarou-se impedido, deixou o tribunal e disse que sua prioridade era assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026.



