BRASÍLIA — A atuação do Brasil contra organizações criminosas e a cooperação internacional na área de segurança pública devem fazer parte do discurso de Lula na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas. O presidente também deve defender o multilateralismo, as negociações de paz, o direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países.
A previsão foi apresentada pelo secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, durante briefing no Palácio Itamaraty, em Brasília. Segundo ele, a fala é definida pela Presidência e pode ser alterada até o último momento.
“Nesses últimos anos, foi assinada uma série de acordos bilaterais para ampliar a cooperação nessa área”, afirmou Cozendey. O embaixador citou operações conjuntas com países vizinhos e a troca de informações com os Estados Unidos para permitir a responsabilização de organizações criminosas.
Relação com os Estados Unidos
A Casa Branca passou a classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Lula discorda da decisão, que foi apoiada e comemorada por Flávio Bolsonaro. O tema deve ser levado à assembleia como parte de uma tentativa de apresentar as medidas adotadas pelo Brasil na área, apesar das críticas americanas.
O discurso também ocorrerá em meio à cobrança sobre produtos brasileiros. Desde julho, os Estados Unidos aplicam tarifas que chegam a 37,5%. Uma taxa de 25% foi atribuída a supostas práticas comerciais desleais, enquanto outra, de 12,5%, foi relacionada a supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. Essa última substituiu a tarifa global de 10%. Lula chamou o conjunto das medidas de infundado.
O presidente também afirmou que só analisará o nome de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil depois da eleição. O governo americano anunciou a indicação antes do aceite brasileiro, procedimento conhecido como agrément.
Agenda em Nova York
Lula chegará a Nova York no domingo (20) e deixará a cidade na terça (22). A segunda (21) deve ser destinada a reuniões bilaterais. Há possibilidade de um encontro, solicitado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, mas a parte brasileira ainda avalia os prós e contras do compromisso.
Não há expectativa de uma reunião formal entre Lula e Donald Trump, segundo Cozendey. O embaixador afirmou não ter conhecimento de pedido do governo brasileiro ou do americano para esse encontro, embora os dois possam se cumprimentar nos bastidores, como ocorreu no último ano.
A viagem ocorrerá às vésperas do primeiro turno das eleições. Caso Lula não seja reeleito em outubro, será a última participação dele no evento da ONU. O Brasil tradicionalmente abre a assembleia, realizada todos os anos em Nova York.
O presidente também se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Os dois devem discutir a Iniciativa ONU80, plano de reforma da organização, e o Conselho de Segurança. O Itamaraty ainda negocia outras reuniões.
Entre os temas previstos estão ainda iniciativas apoiadas pelo Brasil, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada durante a presidência do país no G20.



