A reforma tributária divide os candidatos ao Executivo entre a defesa da transição prevista, a tentativa de alterar pontos do sistema e propostas que substituem ou complementam a mudança aprovada. Levantamento da empresa de tecnologia tributária Roit identificou que cinco candidatos à Presidência apoiam a implementação a partir de janeiro. Apenas um deles considera adiar a substituição dos tributos federais prevista para o início de 2027.
O estudo foi elaborado com base em programas de governo e discursos dos postulantes. Ao todo, foram monitorados 80 candidatos a cargos no Executivo, incluindo presidenciáveis e concorrentes aos governos estaduais com pontuação relevante nas pesquisas. Quase metade, 39, ainda não havia tratado da reforma quando o levantamento foi realizado, no início de setembro.
Posições entre os presidenciáveis
Lula (PT) defende a reforma aprovada durante seu mandato. Entre os efeitos que destaca estão a devolução de tributos, por meio do cashback, para famílias do Cadastro Único de programas sociais, além da desoneração da cesta básica no novo sistema.
Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) apoiam a manutenção do calendário, mas propõem ajustes. Renan Santos e Augusto Cury defendem a redução da carga sobre o consumo, que, segundo o levantamento, já está entre as maiores do mundo. Zema propõe um sistema “sem exceções ou regimes especiais”.
Caiado se posicionou contra a aprovação da proposta e está entre os críticos mais duros. Apesar de não defender a alteração do cronograma, afirma que a reforma precisa ser profundamente modificada.
Flávio Bolsonaro (PL) é apontado como o candidato que apresenta a crítica mais estrutural. Em junho de 2026, defendeu “suspender por um ano” e fazer uma “nova reforma”. Em agosto de 2026, passou a falar em corrigir distorções e abreviar a transição. Seu plano de governo também propõe retirar exceções setoriais criadas por lobbies.
Os demais presidenciáveis monitorados apresentam propostas alternativas que não estão necessariamente vinculadas à reforma. Edmilson Costa (PCB) propõe tributar o consumo progressivamente, conforme a renda. Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) defendem a eliminação de impostos sobre o consumo e maior tributação do capital. Hertz Dias (PSTU) e Clariana Barão (DC) querem revisar gastos e subsídios, enquanto Wilson Grassi (Democrata) propõe um imposto sobre transações financeiras.
Estados e calendário de implantação
Entre os candidatos a governador, 30 se manifestaram sobre a reforma. Desses, 21 defendem sua implementação, com ou sem ajustes. O grupo inclui os dois primeiros colocados na disputa pelo governo de São Paulo.
Os eleitos em 2026 terão a tarefa de conduzir a implantação do novo sistema nos quatro anos seguintes. No âmbito federal, a mudança nos tributos está prevista para 1º de janeiro. A transição nos estados e municípios começa efetivamente em 2029, enquanto o comitê com representantes dessas administrações já trabalha na criação do sistema.
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) passou a defender a reforma após avaliar que São Paulo seria beneficiado, mas levantou dúvidas sobre o funcionamento do Comitê Gestor formado por estados e municípios. Fernando Haddad (PT), que tratou a reforma como prioridade quando era ministro da Fazenda, reafirmou a necessidade de cumprir o calendário e prometeu “abrir a caixa-preta” dos benefícios fiscais do estado.
Lucas Ribeiro, CEO da Roit, declarou que um adiamento colocaria em risco a arrecadação e provocaria uma crise de credibilidade diante dos investimentos já realizados. Para ele, uma mudança constitucional neste momento seria inadequada.
Um grupo de 98 empresários, tributaristas, advogados, economistas e políticos enviou uma carta-manifesto aos candidatos à Presidência em defesa da implementação. O documento afirma que interromper o processo traria problemas para empresas, União, estados e municípios e classifica a reforma como uma conquista do país, não de um governo específico.
Mateus Pontalti, sócio do escritório Feitosa Rodrigues Pontalti, afirma que o adiamento é limitado porque os principais marcos da transição estão na Constituição. Segundo ele, ainda seria possível flexibilizar a adaptação dos contribuintes por meio de mudanças no regulamento das administrações tributárias, incluindo documentos eletrônicos, procedimentos de envio e cronogramas de exigências.



