O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello criticou a atuação de Alexandre de Moraes na Corte e afirmou que o colega “vem errando a mão”. A declaração foi dada neste sábado (5), durante entrevista, após ele ser questionado sobre a conduta de Moraes.
“Ele vem errando a mão, e isso é muito ruim”, disse Marco Aurélio. Em seguida, acrescentou que se arrepende de ter apoiado a indicação de Moraes para o STF. Em 2017, o então presidente Michel Temer indicou Moraes para uma cadeira no tribunal, com o apoio do ministro aposentado.
As críticas ocorrem depois da divulgação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. O conteúdo aparece em um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça.
Relatório e manifestações
Marco Aurélio defendeu a conduta de Mendonça no caso. Para ele, o momento atual do Supremo representa uma “inversão de valores”. O ministro aposentado afirmou que Mendonça agiu corretamente ao encaminhar à Procuradoria-Geral da República um relatório elaborado pela PF.
A investigação mapeou encontros realizados entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. O primeiro contato entre Vorcaro e Moraes teria sido intermediado ainda em 2023 pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, que enviou a Vorcaro o número de telefone de Moraes.
As mensagens analisadas registram um jantar entre Moraes e Vorcaro em 2 de fevereiro de 2024, com a presença das respectivas esposas. Outros encontros teriam ocorrido em novembro de 2024. Em março de 2025, Vorcaro informou à esposa e depois a um diretor do Banco Central que estava com Moraes. Em abril de 2025, disse que iria encontrar o ministro “perto de casa”.
O relatório também menciona o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em conversa com Vorcaro intermediada pelo advogado Ciro Soares, além do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Moraes ainda não se manifestou oficialmente sobre as citações. A PGR pediu a nulidade do relatório e questionou a condução da investigação sem provocação do Ministério Público, além do tratamento dado a informações sobre autoridades com foro no Supremo.




