O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório da Polícia Federal sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro pode ter sido produzido com auxílio de agentes externos, possivelmente estrangeiros. Em sua defesa, apresentada à presidência do STF, ele classificou o documento como “imprestável”.
Moraes declarou que o relatório representaria uma tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. O ministro relacionou a apuração às ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que, segundo ele, tentou abolir o Estado Democrático de Direito por meio de um golpe de Estado.
O STF define nesta terça-feira, 15, se abrirá uma investigação contra Moraes. Ele também levantou a possibilidade de que o documento tenha sido inserido nos sistemas da Polícia Federal. Na avaliação do ministro, o afastamento do diretor-geral da corporação, delegado Andrei Rodrigues, teria sido comemorado por autoridades estrangeiras e poderia ter impedido a verificação da origem do relatório.
Argumentos apresentados
Na defesa, que tem 44 páginas, Moraes questionou a cadeia de custódia do material. Segundo ele, falhas nesse procedimento permitiriam a inclusão de arquivos falsos, mensagens em blocos de notas e outras irregularidades, especialmente quando o conteúdo apreendido é encaminhado ao gabinete do magistrado relator sem procedimentos mínimos de segurança.
O ministro afirmou ainda que terceiros poderiam ter acessado o arquivo. Ele disse que o prazo de elaboração foi de 72 horas e considerou esse período incompatível com a produção do relatório. Para Moraes, os metadados indicariam que o documento não foi elaborado efetivamente pela Polícia Federal, mas por agentes externos que teriam enviado o resultado à corporação.
Alexandre de Moraes foi sancionado pelo governo Donald Trump em 30 de julho de 2025, com base na Lei Magnitsky. A medida previa bloqueio de eventuais bens e restrições a transações financeiras nos Estados Unidos. Em 12 de dezembro de 2025, o ministro e sua mulher, Viviane Barci, foram retirados da lista de sanções pela administração trumpista.



