Deputados federais que estiveram entre os mais votados em 2022 e registraram candidatura para o ciclo eleitoral de 2026 tiveram aumento médio de 1.581% no patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento considera as informações disponíveis na plataforma DivulgaCandContas, com atualização até 10 de setembro de 2026.
A maior variação foi registrada por Nikolas Ferreira (PL), que recebeu 1,49 milhão de votos em 2022. Naquele ano, o deputado declarou R$ 36.820,46 em bens. Para 2026, informou patrimônio de R$ 3,9 milhões, incluindo um imóvel de R$ 2,2 milhões e aplicações financeiras. O crescimento foi de 10.491,94%. Procurado, o parlamentar não se manifestou.
Variação patrimonial dos parlamentares
Ricardo Salles (Novo), que obteve 640 mil votos para a Câmara em 2022 e disputa uma vaga no Senado em 2026, declarou R$ 9,05 milhões neste ano. O patrimônio informado anteriormente era de R$ 3,97 milhões, uma alta de 128%. A declaração inclui um imóvel rural no interior de São Paulo, avaliado em R$ 2,9 milhões; um imóvel rural em Portugal, de R$ 3 milhões; e uma casa residencial na capital paulista, de R$ 3,15 milhões. Salles atribuiu o aumento à atividade advocatícia e à incorporação do resultado de investimento imobiliário no exterior.
Kim Kataguiri (Missão) passou de R$ 325.896,01 em bens, em 2022, para R$ 1.109.702,79 em 2026, uma alta de 240%. A declaração atual reúne ações, fundos de investimento nacionais, criptomoedas e 25 gramas de ouro escritural no Banco do Brasil. O deputado afirmou que o aumento ocorreu por causa de sua carteira de investimentos.
Celso Russomanno (Republicanos) elevou o patrimônio de R$ 1,48 milhão para R$ 3,002 milhões, crescimento de 103%. Entre os bens declarados estão quotas de participação em empresas de comunicação, propriedades imobiliárias fracionadas e veículos. O deputado declarou ter outras atividades além do mandato e usar o salário parlamentar para atendimento gratuito de defesa do consumidor.
Deltan Dallagnol (Novo) teve a menor variação da lista: 1,37%. O ex-procurador declarou R$ 2.719.569,42 em 2022 e R$ 2.756.904,77 em 2026. O patrimônio inclui um apartamento de R$ 1,14 milhão e cerca de R$ 1 milhão em investimentos. Dallagnol é candidato ao Senado depois de ter o mandato de deputado federal cassado com base na Lei da Ficha Limpa.
Tabata Amaral (PSB) declarou aumento de 21%, de R$ 556.700,29 para R$ 674.534,74. A relação atual inclui um imóvel financiado. A deputada disse que a variação é compatível e comparou sua situação à de candidatos que, segundo ela, compram imóveis de R$ 6 milhões em dinheiro vivo sem esclarecer a origem dos recursos.
O Delegado Bruno Lima (PP-SP) passou de R$ 159.748,62 para R$ 292 mil, alta de 82,8%. A maior parte dos bens está concentrada em previdência privada, de R$ 202 mil, e aplicações bancárias. Ele afirmou que a diferença é compatível com os rendimentos recebidos.
Critérios do levantamento
O subsídio bruto mensal de um deputado federal é de R$ 46.366,19, conforme o Decreto Legislativo nº 172/2022. O mandato também inclui a Cota Parlamentar (CEAP), de R$ 41 mil a R$ 45 mil mensais, e auxílio-moradia de R$ 4.253,00 para quem não utiliza apartamentos funcionais em Brasília.
Dos dez deputados mais votados em 2022, Guilherme Boulos, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro não entraram na comparação. Boulos abriu mão da reeleição para permanecer como ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Zambelli cumpre condenações do Supremo Tribunal Federal (STF) referentes a 2022 e 2025. Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado, está nos Estados Unidos e é inelegível.
A análise comparou as declarações oficiais dos candidatos selecionados, considerando valores nominais e o custo de aquisição dos bens. Os números representam o patrimônio declarado pelos próprios parlamentares à Justiça Eleitoral, e não necessariamente o patrimônio líquido disponível.



