CURITIBA — Um estudo urbanístico que embasa uma proposta em tramitação na Câmara de Vereadores aponta que 38 dos 52 lotes incluídos no perímetro previsto para o Polo Cultural do Alto São Francisco já abrigam atividades econômicas. O número corresponde a 73% dos imóveis mapeados na área da avenida Jaime Reis.
A iniciativa prevê a criação da chamada Avenida da Cultura, com programação artístico-cultural e circulação exclusiva de pedestres nos finais de semana. O trecho alcançado pela proposta tem 650 metros e fica entre a alameda Dr. Muricy e a rua dos Presbíteros.
Como funcionaria o bloqueio
A passagem de automóveis seria interrompida às 19h de sexta-feira e liberada novamente às 3h de domingo. A Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (SMDT) ficaria responsável pelo fechamento, pela sinalização temporária, pelos desvios e pela adaptação dos itinerários de ônibus.
O estudo técnico estima que a mudança teria impacto insignificante no transporte coletivo, com desvio médio de 20 metros no percurso das linhas que circulam na região durante o fim de semana. O levantamento também registra a presença de comércios, teatros, galerias de arte e praças no entorno.
Tramitação e justificativas
De autoria do vereador Matteus Henrique (PT), a proposição tramita desde 12 de agosto e ainda precisa ser examinada pelas comissões temáticas antes de seguir para votação em plenário. O texto está registrado sob o número 005.00318.2026.
Segundo o parlamentar, a ocupação contínua do espaço público pode ampliar a segurança urbana, oferecer lazer seguro, estimular a mobilidade ativa e aproximar equipamentos culturais e históricos, com respeito ao patrimônio arquitetônico do município. Ele também afirma que a proposta pode impulsionar a economia criativa e o turismo.
O estudo urbanístico e jurídico foi elaborado pelo advogado Ramon Prestes Bentivenha e pelo arquiteto Carlos Ranazi Bentivenha. O documento informa ainda que nenhum imóvel estritamente residencial tem a avenida Jaime Reis como único acesso. Para Matteus Henrique, os dados mostram a vocação comercial da via e afastam preocupações sobre impactos negativos na vizinhança.



