Ubiratan Sanderson, candidato do PL ao Senado pelo Rio Grande do Sul, defendeu a criação de um sistema público de classificação do risco enfrentado por mulheres ameaçadas. Nos casos considerados mais graves, a proposta prevê segurança pessoal feita por policiais e apoio financeiro para que vítimas deixem suas casas e permaneçam em locais seguros.
A medida foi apresentada durante entrevista realizada nesta terça-feira (15), com duração de 15 minutos. Sanderson afirmou que a rede de proteção contra o feminicídio precisa receber investimentos de prefeituras, governos estaduais e governo federal. Para ele, a atuação legislativa, sozinha, não é suficiente para impedir os crimes.
“Um papel não protege ninguém”, disse o candidato ao comentar os registros de ameaças feitos em delegacias. Ele também afirmou que já existem policiais destinados à proteção de políticos e defendeu prioridade semelhante para mulheres que tenham registrado ameaças sucessivas.
Dívida do Rio Grande do Sul
Na entrevista, Sanderson declarou que pretende atuar pela prorrogação da suspensão do pagamento das parcelas da dívida do Rio Grande do Sul com a União. Segundo ele, o débito limita investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.
O candidato propôs uma ação conjunta de senadores e deputados federais gaúchos para renegociar a dívida e defendeu uma auditoria sobre a origem, o tamanho e os juros aplicados. A apuração, segundo Sanderson, poderia ser feita pelo Tribunal de Contas da União ou pelo Tesouro Nacional, com participação de representantes do estado no Congresso Nacional, do governador e da população.
Enchentes e mudanças no STF
Para obter recursos destinados à prevenção de enchentes, Sanderson afirmou que pretende propor alterações na legislação ambiental. Ele avaliou que as regras atuais dificultam medidas dos governos estadual e municipais e defendeu participação mais ativa dos prefeitos.
O candidato também criticou a disputa entre o presidente da República e o governador do Rio Grande do Sul sobre a responsabilidade pelas obras. Ele disse que recursos foram encaminhados, mas que medidas preventivas ainda não foram concluídas.
Sobre o Supremo Tribunal Federal, Sanderson defendeu mandatos para os ministros e a indicação exclusiva de magistrados de carreira. A proposta foi associada por ele a uma reforma mais ampla do sistema de Justiça e a uma iniciativa do senador Carlos Portinho, do PL do Rio de Janeiro.
Sanderson afirmou ainda que, se eleito, pretende apresentar pedidos de abertura de processos de impeachment contra pelo menos três ministros do STF. Alexandre de Moraes foi o único integrante do tribunal citado nominalmente.
Escala de trabalho
O candidato lembrou que votou a favor de uma proposta relacionada ao fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados. Ele disse, porém, que a medida precisa ser aprimorada para considerar os interesses de trabalhadores e empregadores.
Sanderson defendeu a flexibilização do regime de trabalho e classificou a proposta conduzida pelo governo federal como eleitoreira e populista. Para ele, a alternativa deve ser a modernização das relações trabalhistas.
Sanderson tem 56 anos, é natural de Erechim e foi criado em Santo Ângelo. Advogado, trabalhou por 23 anos na Polícia Federal e entrou na política em 2018, quando foi eleito deputado federal. Em 2022, foi reeleito para o cargo. A entrevista fez parte de uma série com candidatos ao Senado nas eleições de 2026.



