Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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STF avaliará validade de relatório antes de decidir investigação sobre Moraes

Juristas consideram que há base para apuração, mas apontam obstáculos processuais e políticos para um eventual impeachment no Senado.

STF avaliará validade de relatório antes de decidir investigação sobre Moraes
Foto: Wilton Junior/Estadão/Estadão

A validade do relatório da Polícia Federal será uma etapa central na sessão extraordinária que o Supremo Tribunal Federal marcou para terça-feira, 15. Antes de examinar o conteúdo das mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, os ministros deverão avaliar se o documento foi produzido de maneira regular e se André Mendonça poderia determinar, por iniciativa própria, o aprofundamento das informações sobre um colega de Corte.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório. Mendonça afirma que não sabia previamente que Moraes era o interlocutor identificado nas mensagens. Se o STF entender que houve invasão da competência do Plenário, o material poderá ser tratado como ilícito e descartado, com possibilidade de arquivamento do pedido. Caso essa questão seja superada, a Corte ainda terá de verificar a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade.

Elementos que motivaram o pedido

Juristas ouvidos sobre o caso avaliam que as informações divulgadas já justificam uma investigação formal, sem que isso represente conclusão sobre crime ou responsabilidade. Diego Werneck Arguelhes, professor e pesquisador do Insper, afirmou que o material ultrapassou o nível mínimo exigido para iniciar uma apuração. Miguel Reale Jr. também defendeu a investigação e disse: “Só se mantém o respeito às instituições se houver apuração”.

As mensagens mostram Vorcaro procurando Moraes em momentos relacionados à investigação sobre o Banco Master, inclusive para consultar o ministro sobre medidas judiciais, pedir auxílio diante do avanço das apurações e falar com ele antes da prisão.

O relatório da PF também descreve negócios envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e pessoas ligadas ao banqueiro. Um dos contratos, firmado com o Banco Master, tinha valor de R$ 131 milhões. A PF identificou que a última alteração na minuta foi feita em arquivo cujo responsável aparecia como Moraes.

Outro acordo foi celebrado em maio de 2025 entre o escritório e uma empresa vinculada a Vorcaro. O material apreendido relaciona a negociação a cotas de duas aeronaves, avaliadas em aproximadamente US$ 5,5 milhões e US$ 1,3 milhão, equivalentes a cerca de R$ 28,1 milhões e R$ 6,6 milhões, respectivamente.

Wálter Maierovitch, Marcelo Crespo, Gustavo Badaró e Aury Lopes Jr. também consideram que há elementos para aprofundar a apuração. As suspeitas mencionadas incluem, em tese, corrupção passiva, exploração de prestígio e advocacia administrativa.

Impeachment depende de fatores políticos

A análise sobre um eventual afastamento pelo Senado é mais incerta. Os especialistas destacam que o processo depende da configuração política posterior às eleições de outubro, da nova composição da Casa e da decisão de sua Presidência sobre dar andamento ou arquivar o pedido.

O Senado renovará 54 das 81 cadeiras, e a disputa pelo comando em 2027 também será relevante. Davi Alcolumbre pretende permanecer na Presidência e é contrário ao impeachment de Moraes. Aliados de Flávio Bolsonaro defendem ampliar o grupo favorável ao afastamento de ministros do STF e apoiam Rogério Marinho para comandar a Casa.

Há ainda uma controvérsia jurídica. Em dezembro de 2025, Gilmar Mendes suspendeu, por liminar, a regra que permitia iniciar o processo contra ministros do STF por maioria simples e estabeleceu quórum de dois terços do Senado. A decisão ainda não foi julgada definitivamente pelo Plenário.

Ivar Hartmann, professor do Insper, avalia que o pedido de investigação aumentou a pressão política sobre Moraes, mas não tornou provável a abertura de um processo de impeachment. Para Aury Lopes Jr., o modelo atual também concentra poder na Presidência do Senado, que pode decidir sozinha se dá prosseguimento ou arquiva os pedidos.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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