A chegada do Aquipta às farmácias brasileiras ainda não tem data definida. Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha autorizado o registro do medicamento, a AbbVie ainda aguarda a avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer os preços máximos no país.
Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, afirmou que ainda não é possível estimar o preço do atogepanto no mercado brasileiro. Segundo ele, o medicamento já foi aprovado nos Estados Unidos e na Europa, mas os valores variam entre os mercados.
Como será o medicamento
O Aquipta é um medicamento oral destinado à prevenção da enxaqueca. O registro contempla comprimidos de 10 mg e 60 mg, em caixas com 28 unidades. A autorização sanitária é válida até setembro de 2036. Já os 36 meses correspondem ao prazo de validade das apresentações, e não à duração do registro.
O atogepanto pertence à classe dos gepants e bloqueia o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido como CGRP. Durante a crise de enxaqueca, essa molécula participa de sinais associados à dor e à sensibilização das vias nervosas. Ao ocupar o receptor, o medicamento reduz a ação do CGRP.
Por ser administrado por via oral, o atogepanto se diferencia dos anticorpos monoclonais que atuam sobre o CGRP ou seu receptor e são aplicados por injeção. Na União Europeia, o Aquipta foi autorizado em 2023 para prevenir a enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês. Em 2026, a indicação europeia também foi ampliada para crises agudas. No Brasil, o uso deverá seguir a bula aprovada pela Anvisa.
Resultados dos estudos
A eficácia preventiva foi avaliada em pesquisas de fase 3 com pessoas que tinham enxaqueca episódica ou crônica. O estudo ADVANCE acompanhou 910 adultos com quatro a 14 dias de enxaqueca por mês durante 12 semanas. Entre os participantes que receberam 60 mg uma vez ao dia, a redução média foi de 4,2 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo placebo. A diminuição de pelo menos 50% nas crises ocorreu em 60,8% dos pacientes tratados com essa dose, ante 29% no grupo placebo.
No estudo PROGRESS, que incluiu 778 adultos com enxaqueca crônica, a redução média foi de 6,9 dias por mês entre os que receberam 60 mg diariamente, diante de 5,1 dias no grupo placebo. A redução de pelo menos 50% ocorreu em cerca de 41% dos tratados, contra 26% dos participantes que receberam placebo.
Os estudos indicaram benefício em relação ao placebo, mas não foram desenhados para comparar o atogepanto diretamente com outros tratamentos preventivos. Constipação e náusea estiveram entre os efeitos adversos mais frequentes; no estudo com pacientes de enxaqueca crônica, cada um ocorreu em aproximadamente 10% dos participantes que receberam 60 mg por dia.
A enxaqueca acomete 15% da população brasileira. O Aquipta é o segundo medicamento oral da classe dos gepants autorizado no Brasil. Em maio deste ano, a Anvisa aprovou o Nurtec ODT, da Pfizer, para o tratamento de crises em adultos e para a prevenção da enxaqueca episódica.
O registro também não significa incorporação automática ao Sistema Único de Saúde (SUS). A Anvisa avalia qualidade, segurança e eficácia para autorizar a comercialização. Já a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) conduz a análise específica para eventual oferta pelo SUS, considerando evidências clínicas, comparação com terapias disponíveis e relação entre custos e benefícios.



