A jabuticabeira tem uma característica incomum entre as árvores frutíferas: suas flores e frutos podem surgir diretamente no tronco e nos galhos mais grossos. O fenômeno é chamado de caulifloria e faz com que a árvore fique coberta de jabuticabas durante a frutificação.
Na espécie Plinia cauliflora, as flores brancas aparecem sobre o caule e os ramos lenhosos mais antigos, próximas à casca. Depois da polinização, os frutos começam a se formar exatamente nesses pontos. Por isso, as jabuticabas maduras não ficam concentradas apenas nas extremidades dos ramos, como ocorre com muitas outras espécies.
Como começa a formação dos frutos
Antes da floração, a jabuticabeira passa por mudanças no tronco. Estudos com a variedade ‘Sabará’ identificaram a formação de gemas reprodutivas depois de uma intensa descamação da casca. Esse processo está relacionado à atividade de células do câmbio vascular, tecido associado ao crescimento da planta.
A redução da temperatura e o estresse hídrico podem participar dos estímulos que levam à brotação das gemas floríferas. Quando a floração acontece, as inflorescências surgem em grande quantidade diretamente no caule.
Após a abertura das flores e a polinização, os frutos continuam ligados à madeira onde as estruturas florais se desenvolveram. O ciclo entre a abertura da flor e o amadurecimento da jabuticaba leva aproximadamente 45 dias, conforme acompanhamento feito com a jabuticabeira ‘Sabará’ em um estudo de doutorado da ESALQ/USP.
Ao longo desse período, os frutos aumentam gradualmente de tamanho até adquirir a aparência madura. Quando a árvore está carregada, as jabuticabas escuras cobrem parte do tronco e dos galhos, contrastando com a casca clara e relativamente lisa.
A ESALQ/USP registra as flores presas ao caule e aos ramos como manifestação de caulifloria. A UENF também registra frutos fixados no tronco e nos galhos, uma combinação que torna a jabuticabeira facilmente reconhecível durante a produção.



