A combinação de vários suplementos ao longo do dia, conhecida como “supplement stacking”, ganhou espaço nas redes sociais. A prática pode incluir creatina, pré-treino, eletrólitos, carboidratos e proteína em diferentes momentos, mas não deve ser adotada como uma fórmula geral baseada na rotina de influenciadores.
A farmacêutica Unna Abrantes recomenda avaliar a finalidade, a dose e a real necessidade de cada produto antes de incluí-lo na rotina. Segundo ela, a quantidade de suplementos não determina a qualidade da estratégia. A repetição de substâncias ou o uso de itens sem uma função clara pode resultar em consumo desnecessário.
Creatina e pré-treino também não têm o mesmo propósito. A creatina está associada à disponibilidade energética para esforços de alta intensidade e pode contribuir para força e desempenho em determinados contextos. Já muitos pré-treinos contêm estimulantes voltados ao aumento da disposição e da percepção de energia. A combinação, portanto, não significa automaticamente um resultado maior.
Atenção à soma dos produtos
A cafeína consumida no café, em pré-treinos, energéticos e alguns termogênicos deve ser considerada em conjunto. Quando esses produtos são combinados sem controle, o excesso de estimulantes pode provocar palpitações, ansiedade, tremores, desconfortos gastrointestinais e alterações no sono.
O uso de eletrólitos também depende da modalidade, da duração e da intensidade do exercício, da temperatura e da perda de líquidos. A necessidade não é igual para todos os praticantes. Da mesma forma, o consumo de carboidratos durante o treino deve levar em conta o tipo de atividade, seu tempo de duração, a intensidade e o objetivo. Uma estratégia voltada a um atleta de endurance não deve ser reproduzida automaticamente por quem faz outro tipo de treinamento.
Suplementos não substituem treino, alimentação, hidratação e descanso. Dormir pouco, alimentar-se mal ou não respeitar a recuperação pode comprometer os resultados mesmo quando há vários produtos disponíveis.
Abrantes orienta ainda que o protocolo de um influenciador não traz necessariamente informações sobre alimentação, exames, intensidade do treinamento, composição corporal, objetivo ou acompanhamento. Para avaliar excessos, a pessoa pode começar perguntando: “Para que estou tomando isso?”. Cada suplemento deve ter uma finalidade definida, e uma rotina planejada não é necessariamente aquela que reúne mais produtos.



