Reduzir o tempo de tela envolve mudanças na rotina, como desligar notificações, estabelecer períodos sem aparelhos e manter o celular distante. A diminuição da exposição aos estímulos digitais pode ajudar a evitar sobrecarga mental e quadros de ansiedade associados ao excesso de conexões.
Em 2022, havia cerca de 242 milhões de smartphones em uso no Brasil, enquanto a população era de 215,1 milhões de pessoas, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas e do IBGE. O uso contínuo desses aparelhos pode interferir no sono, na convivência familiar e na prática de exercícios físicos.
Mudanças na rotina
Uma das recomendações é deixar o telefone em outro cômodo durante os momentos livres. A medida interrompe o impulso de verificar a tela repetidamente e ajuda a reconhecer quando o comportamento está desequilibrado. Para Felipe Botelho, psicólogo do Grupo de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas da USP, “Reconhecer é o primeiro passo”.
Também é indicado desativar os alertas do sistema operacional. Botelho afirma que “as notificações são um gerador de ansiedade” e associa a desativação desses avisos à redução dos estímulos para acessar o aparelho imediatamente.
Nas redes sociais, selecionar as contas acompanhadas, silenciar perfis desconfortáveis e excluir aplicativos do smartphone são medidas que podem diminuir o tempo online. Outra possibilidade é acessar as plataformas apenas pelo computador, limitando a rolagem contínua. Dawn Bounds, professora da Escola de Enfermagem da Universidade da Califórnia em Irvine, recomenda uma filtragem ativa dos conteúdos consumidos, em vez de deixar essa escolha apenas com os algoritmos.
Jacqueline Nesi, professora da Universidade Brown, orienta que o telefone não seja levado para o quarto durante a noite. Ela também recomenda interromper o uso dos aparelhos uma hora antes de dormir.
Alternativas ao celular
Atividades que exigem concentração, como natação e tênis, além de meditação e instrumentos musicais, podem ocupar os momentos de tédio. A neurocientista Claudia Feitosa-Santana afirma que o cérebro desenvolve dependência dos estímulos produzidos pelo uso frequente dos celulares. Segundo a orientação, atividades manuais ou físicas ajudam a romper esse ciclo.
Felipe Botelho também sugere mídias passivas, como televisão e computador, por exigirem menos interação direta do que os smartphones e permitirem delimitar melhor os horários de consumo.



