Apenas 20% dos homens nos Estados Unidos sabem que o consumo de laticínios pode elevar o risco de câncer de próstata, segundo pesquisa da Morning Consult encomendada pelo Physicians Committee for Responsible Medicine. O levantamento também mostrou que dois terços dos participantes evitariam produtos lácteos caso recebessem informações sobre esse possível impacto na saúde.
A pesquisa ouviu 1.102 pessoas durante o Mês de Conscientização sobre o Câncer de Próstata, em setembro. A mesma proporção dos entrevistados afirmou ter recebido de profissionais de saúde orientações sobre nutrição relacionada à doença. Entre os participantes, 76% defenderam a presença de alertas nas embalagens de leite e queijo.
Noah Praamsma, nutricionista e coordenador de educação nutricional do Physicians Committee for Responsible Medicine, disse que médicos e outros profissionais precisam receber mais orientação sobre os riscos associados aos laticínios e sobre os possíveis benefícios de uma alimentação baseada em vegetais.
Evidências sobre o consumo de laticínios
Uma meta-análise que reuniu 32 pesquisas encontrou associação entre a ingestão elevada de derivados do leite e uma incidência maior de tumores. Em um dos estudos avaliados, homens que consumiam pelo menos uma porção diária de leite desnatado ou com baixo teor de gordura tiveram 19% mais chance de desenvolver a doença do que aqueles que raramente ingeriam o produto.
Outro acompanhamento observou 3.612 homens por até uma década. Nesse grupo, a ingestão de três porções diárias de laticínios com baixo teor de gordura esteve relacionada a uma taxa de diagnósticos mais de duas vezes superior à registrada entre os que consumiam menos de uma porção. Uma análise de 11 estudos, com 700 mil participantes, associou o consumo elevado de leite integral a um risco de morte até 50% maior.
Alimentação baseada em vegetais
Dados do Adventist Health Study-2 indicam que uma dieta estritamente vegana esteve associada a uma redução de 35% no risco de desenvolver câncer de próstata, em comparação com dietas onívoras, pesco-vegetarianas ou semivegetarianas. Frutas, feijões e grãos integrais foram destacados como alimentos relacionados à proteção do organismo masculino.
Entre pacientes já diagnosticados, um estudo com 2.000 voluntários registrou 56% menos probabilidade de progressão da doença e redução de 59% na recorrência tumoral entre aqueles que seguiam uma alimentação centrada em vegetais. A American Cancer Society estima 333.830 novos diagnósticos e 36.320 mortes pela doença nos Estados Unidos em 2026.



