A atriz Leandra Leal afirmou que aprender a gostar de si mesma pode ser uma forma de resistência diante das expectativas impostas às mulheres. Em entrevista ao programa Sem Censura, ela relacionou a dificuldade de muitas mulheres em reconhecer o próprio valor a padrões sociais que influenciam a relação com o corpo e a identidade.
Para Leandra, uma maneira de controlar alguém é fazer com que essa pessoa deixe de gostar de si própria. Na avaliação da atriz, esse mecanismo atinge especialmente as mulheres, que receberam, ao longo dos anos, mensagens capazes de dificultar a construção de uma percepção positiva sobre si mesmas.
Aprovação externa e insatisfação
A atriz afirmou que muitas mulheres cresceram sem se sentir autorizadas a gostar de si mesmas. Com isso, a busca pela aprovação de outras pessoas passou a influenciar a forma como elas enxergam o próprio valor.
Leandra destacou que depender da validação externa também pode funcionar como uma forma de controle. Quando uma mulher precisa ouvir de alguém que é bonita, interessante ou “legal” antes de reconhecer essas características em si, a percepção que tem sobre a própria identidade fica vinculada ao olhar dos outros.
A importância de ensinar meninas
Ao abordar as novas gerações, a atriz defendeu que essa mudança comece ainda na infância. Para ela, ensinar meninas a reconhecer o próprio valor pode ajudá-las a compreender que a insatisfação constante não precisa definir a relação com o próprio corpo.
Leandra também afirmou que mostrar às meninas que elas não precisam se rejeitar para atender às expectativas alheias faz parte desse processo. Reconhecer o próprio corpo, a própria vida e o prazer que esse corpo pode proporcionar foi apresentado como parte da construção de uma relação mais livre consigo mesma.
Na reflexão, a atriz citou o patriarcado e a sociedade machista como elementos de uma estrutura que contribuiu para uma visão mais crítica e insatisfeita das mulheres sobre si próprias. Nesse sentido, incentivar uma relação positiva com o corpo também significa questionar padrões repetidos ao longo do tempo.
Para Leandra, a autoestima não deve ser reduzida a uma questão individual. Aprender a se valorizar, segundo ela, pode romper com uma lógica que ensinou mulheres a identificar primeiro os próprios defeitos. “Uma menina que gosta dela mesma é algo revolucionário”, afirmou.



