PERNAMBUCO — O estado registrou 9.125 acidentes envolvendo escorpiões entre janeiro e junho de 2026, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). O total equivale a uma média de quase 51 pessoas picadas por dia.
O número ficou ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando houve 9.219 ocorrências. Ao longo de 2025, Pernambuco contabilizou 19.608 casos, acima dos 15.844 acidentes registrados em 2024.
Cuidados dentro de casa
Entre julho e setembro, os escorpiões costumam apresentar maior atividade reprodutiva, o que aumenta a incidência de picadas. Os animais se adaptam a áreas urbanas e podem encontrar abrigo e alimento em locais com lixo, entulho, umidade, frestas e baratas.
Para reduzir a presença deles, a orientação é manter quintais, jardins e áreas externas limpos e evitar o acúmulo de lixo, telhas, tijolos, madeiras e entulho. Ralos de banheiros, cozinhas e áreas de serviço devem ter telas ou tampas, enquanto frestas em paredes, pisos, portas, janelas e rodapés precisam ser vedadas.
Camas e berços devem ficar afastados das paredes. Lençóis, colchas e mosquiteiros não devem encostar no chão. Roupas, toalhas, calçados e objetos guardados precisam ser examinados antes do uso, e o lixo doméstico deve ser acondicionado corretamente. Também é necessário combater baratas, que servem de alimento para os escorpiões.
Ao movimentar materiais armazenados ou fazer limpeza em quintais, depósitos, terrenos e áreas com entulho, a recomendação é usar luvas resistentes e calçados fechados.
Inseticidas e atendimento
A aplicação indiscriminada de inseticidas domésticos não é recomendada. O produto pode não alcançar o animal escondido e ainda deslocá-lo para outros pontos da residência, aumentando o risco de contato com moradores. A prioridade deve ser a limpeza, a eliminação de esconderijos, a vedação de entradas e a redução da oferta de alimento.
Se um escorpião for encontrado, não se deve tocá-lo diretamente. O morador deve procurar o serviço municipal responsável pela vigilância ambiental ou pelo controle de zoonoses. Uma fotografia, feita sem aproximação ou risco, pode ajudar na identificação.
A dor intensa é o sintoma mais comum após a picada. Também podem ocorrer vermelhidão, formigamento, suor, náuseas e vômitos. Salivação excessiva, agitação, alterações nos batimentos cardíacos e dificuldade para respirar são sinais de gravidade.
A área deve ser lavada com água e sabão, e a vítima precisa procurar imediatamente uma unidade de saúde. Crianças, idosos e pessoas com sintomas além da dor local necessitam de avaliação urgente. Não se deve cortar, furar, espremer ou sugar o local, nem fazer torniquete ou aplicar álcool, querosene, folhas, pó de café ou outras substâncias caseiras.
Em Pernambuco, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) presta orientação gratuita durante 24 horas pelo telefone 0800 722 6001. O contato não substitui o atendimento médico presencial, especialmente quando há sinais de agravamento.



