Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pesquisa aponta alta exposição de jornalistas brasileiros a riscos à saúde mental

Estudo relaciona sintomas de insônia, depressão e assédio a condições de trabalho e baixo apoio social entre jornalistas do Brasil.

Pesquisa aponta alta exposição de jornalistas brasileiros a riscos à saúde mental

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) aponta que jornalistas brasileiros estão expostos a riscos à saúde mental associados às condições de trabalho, ao assédio e ao baixo apoio social. O estudo foi produzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O levantamento ouviu 257 profissionais recrutados por amostragem para responder a um questionário online. Entre eles, 48% relataram sintomas de insônia. O índice supera as médias nacionais registradas pelo Ministério da Saúde no relatório Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil) 2006-2024, que variam de 28,7% em Natal a 38% em Maceió.

Metade dos entrevistados afirmou enfrentar um quadro de depressão. Dentro desse grupo, 9% relataram sintomas de depressão severa e 16%, de depressão extremamente severa. A pesquisa também identificou consumo de bebidas alcoólicas em padrões compatíveis com uso de risco ou nocivo entre 21,5% dos participantes: 18,7% indicaram uso de risco e 1,6%, uso nocivo. As respostas de 1,2% sugeriram provável dependência.

Assédio e apoio no trabalho

As pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze apresentaram os resultados durante uma reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional. Na análise, elas afirmam que o dinamismo e o estresse próprios do jornalismo expõem os profissionais a riscos psicossociais.

Ao menos 26% dos participantes disseram ter sido vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho. Conforme os critérios utilizados, esse percentual pode chegar a 37%. O estudo também registrou cyberbullying para 30% dos entrevistados.

“A prevalência de assédio moral no trabalho, variando de 26% a 37%, e de cyberbullying (30%), representam um dos achados mais críticos deste estudo”, afirmam as autoras. Para elas, os dados indicam exposição a formas de violência psicossocial nos ambientes físico e digital.

Outro dado destacado é que 61% dos entrevistados declararam receber baixo apoio social, considerando a interação com colegas e superiores. As pesquisadoras relacionam essa condição ao baixo controle sobre atividades executadas sob pressão e apontam possíveis efeitos negativos sobre a saúde. A avaliação da satisfação no trabalho ficou levemente abaixo da média.

A presidenta da Fenaj, Samira de Castro Cunha, afirmou que as condições identificadas também podem afetar a qualidade da informação produzida e o direito da sociedade à informação. Para as pesquisadoras, os efeitos ultrapassam a categoria, considerada essencial ao funcionamento das instituições democráticas.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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