Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Bagaço de uva vira biofertilizante e eleva betacaroteno em flores de calêndula

Produto desenvolvido por Unicamp e UFPR aumentou em mais de 250% o betacaroteno das flores em experimento de verão.

Bagaço de uva vira biofertilizante e eleva betacaroteno em flores de calêndula
Foto: Patrícia Ritschel/Embrapa

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram um biofertilizante feito com bagaço de uva. Aplicado no cultivo da calêndula pôr do sol (Calendula officinalis L.), o produto favoreceu o desenvolvimento das plantas e aumentou a concentração de compostos de interesse nutricional nas flores.

No experimento realizado durante o verão, as flores tratadas com o biofertilizante alcançaram até 80,9 miligramas de betacaroteno para cada 100 gramas de flor liofilizada. O resultado foi superior a 250% ao registrado no cultivo convencional, sem a utilização do digestato. O betacaroteno é precursor da vitamina A e tem ação antioxidante.

A pesquisa foi desenvolvida no doutorado de Luiz Eduardo Nochi Castro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, com apoio da Fapesp. Os resultados foram publicados na revista científica ACS Omega. Castro explica que o bagaço foi escolhido por ser um dos principais resíduos da produção de vinho e manter uma composição rica em substâncias de interesse.

Transformação do resíduo

O bagaço representa aproximadamente 20% a 25% da massa total das uvas processadas. De acordo com os pesquisadores, entre 9 milhões e 13 milhões de toneladas desse material são geradas anualmente no mundo. O resíduo ainda contém fibras, açúcares, compostos fenólicos, antioxidantes e pigmentos naturais.

Para produzir o biofertilizante, o material passou por digestão anaeróbia, processo em que microrganismos decompõem a matéria orgânica sem oxigênio. O resultado foi um digestato líquido rico em nutrientes, usado posteriormente no cultivo da calêndula.

Ao longo de 2023, foram realizados experimentos no verão e no inverno, com diferentes quantidades de biofertilizante e condições de irrigação. Após a colheita, as flores foram liofilizadas e submetidas a análises físico-químicas. Os pesquisadores também avaliaram folhas, raízes e a parte aérea das plantas, comparando os resultados com o cultivo convencional.

Os testes indicaram que doses maiores do digestato não necessariamente produzem melhores resultados. Segundo Tânia Forster, professora da FEA-Unicamp e orientadora da pesquisa, as doses moderadas tiveram o melhor desempenho, enquanto quantidades excessivas prejudicaram o desenvolvimento das plantas. A quantidade de água fornecida também influenciou os resultados.

No inverno, o destaque foi a maior retenção de pigmentos e minerais. Os pesquisadores avaliam que o biofertilizante pode enriquecer o perfil nutricional da planta em diferentes condições sazonais. Também foram observados aumentos nos compostos fenólicos totais e na atividade antioxidante das flores no experimento de verão.

Próximas etapas

A calêndula é uma flor comestível de interesse das indústrias alimentícia e de cosméticos por conter compostos antioxidantes. Ainda são necessários estudos sobre custos, logística e viabilidade de integração do biofertilizante às vinícolas ou a empresas que já utilizam a digestão anaeróbia para tratar resíduos.

Os cientistas também estudam a extração de açúcares e pigmentos naturais do bagaço para uso em alimentos, cosméticos e outros produtos. A proposta é formar uma cadeia de economia circular, com o aproveitamento do resíduo para produzir energia e biofertilizante, o uso do adubo no cultivo de flores comestíveis e a transformação das flores e dos resíduos do cultivo em produtos de maior valor agregado.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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