O Berganês está presente em 12 Estados brasileiros e teve seu reconhecimento oficial concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em maio deste ano. Um levantamento realizado em abril de 2026 contabilizou 2.648 animais e 98 criadores. Pernambuco concentra 1.393 ovinos, o equivalente a 52% do rebanho nacional.
Seleção e adaptação
A raça foi formada no semiárido brasileiro a partir de cruzamentos entre ovinos Santa Inês, de origem brasileira, e Bergamácia, italiana. O trabalho começou em 1988, com a busca por animais de maior produtividade de leite, porte avantajado, rusticidade e características raciais definidas.
Em 2014, a seleção passou a contar com uma pesquisa científica aprovada. A iniciativa envolveu parcerias com outras instituições e resultou em dezenas de trabalhos acadêmicos, dissertações, teses e artigos científicos. Esse conjunto de estudos permitiu caracterizar o Berganês e reunir os subsídios técnicos para o reconhecimento pelo Mapa.
Para João Bandeira de Moura Neto, pesquisador do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), a homologação valida o trabalho de pesquisa e contribui para o melhoramento genético, a rastreabilidade dos rebanhos e a valorização comercial dos animais.
Desde 2025, 32 criadores associados à Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Berganês (ABCOB) são acompanhados mensalmente pela equipe técnica da entidade. A seleção considera a capacidade dos ovinos de enfrentar temperaturas elevadas, caminhar em busca de alimento, aproveitar as forragens disponíveis e manter o desempenho reprodutivo e produtivo em condições adversas.
Valor e manejo do plantel
A adaptação ao semiárido também aparece na diferença de preço. Enquanto ovinos tradicionais são vendidos por R$ 1 mil por cabeça, exemplares Berganês alcançam valores entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.
Em Terra Nova (PE), João Berlúcio, proprietário do Berganês Rancho Dudé, trabalha com a raça há dez anos. O criador afirma que a escolha por animais adaptados ao clima semiárido ajudou a manter a produtividade e a reduzir riscos durante períodos de seca prolongada. A seleção do plantel priorizou desempenho produtivo e padrão genético.
Experiência do Rancho Dudé
Em 2020, o empreendimento buscou apoio do Sebraetec para melhorar geneticamente os animais e ampliar a comercialização. Até então, o rancho vendia diretamente ao consumidor carne caprina, leite de cabra e derivados para restaurantes, supermercados e a merenda escolar da região do Vale do São Francisco.
A consultoria incluiu orientações sobre seleção, cruzamento de animais Puro de Origem (PO) e manejo. Ao fim do trabalho, foram obtidos 29 embriões viáveis, com 19 implantações e 18 prenhezes. O índice de sucesso foi de 65,51%.
Berlúcio afirmou que o investimento em genética e a orientação técnica elevaram o padrão dos animais e fortaleceram a venda de matrizes e reprodutores. O rancho também passou a participar de exposições agropecuárias e a comercializar animais em leilões virtuais.



