SEARA — A família Vani encontrou na suinocultura uma forma de ampliar a renda da propriedade rural e criar condições para que os filhos permanecessem no campo. Em Seara, no Oeste de Santa Catarina, a atividade chegou a 6 mil leitões alojados em dois galpões de creche, cada um com capacidade para 3 mil animais.
A criação de suínos atravessa gerações da família. O trabalho começou com poucas matrizes e chegou a cerca de 30 fêmeas, mas foi interrompido após a morte dos pais de Lauri Vani. Anos depois, a atividade foi retomada com foco na fase de creche, em parte porque o terreno não favorecia a expansão baseada apenas na produção de grãos.
O investimento foi feito quando os filhos ainda eram jovens e não havia certeza de que eles continuariam na propriedade. Para Lauri, a estrutura ajudaria a manter a família reunida e a dar continuidade ao negócio. “O meu sonho era que, com a creche, nós tivéssemos um dinheirinho a mais para segurar eles em casa”, afirma.
A nova atividade também exigiu aprendizado. No primeiro lote, os integrantes da família precisaram aprender juntos a separar e manejar os animais. Com o tempo, a rotina foi organizada. Nos dias de carregamento, o trabalho pode começar às 4h da manhã e seguir até o meio-dia. Nos dias de alojamento, os leitões chegam por volta das 6h ou 6h30.
Os animais são separados por tamanho e condição, com atenção especial aos menores. Na propriedade, eles chegam da Unidade Produtora de Leitões (UPL) e permanecem na creche até seguirem para a terminação. O trabalho inclui controle de temperatura, acompanhamento sanitário, estímulo ao consumo e observação das baias.
Divisão de responsabilidades
A assistência técnica é feita com orientações, treinamentos e participação no Círculo de Melhoria Contínua (CMC), programa voltado à identificação de problemas, análise de dados e busca de soluções para as granjas. Para Perlin Meirelles Nunes, extensionista responsável pelo acompanhamento, a disciplina e a responsabilidade da família estão entre os fatores ligados aos resultados obtidos.
Com o crescimento das atividades, os filhos passaram a assumir funções diferentes. Alexandro ficou mais ligado à bovinocultura leiteira, enquanto Rafael assumiu maior responsabilidade pela suinocultura e também auxilia nas lavouras. Os irmãos, porém, continuam se ajudando quando necessário.
A participação dos sucessores também alterou a tomada de decisões. Segundo Lauri, as escolhas deixaram de ficar concentradas nos pais e passaram a ser feitas por todos em conjunto. Para Rafael, a sucessão é uma passagem gradual de responsabilidades, em que os filhos assumem a gestão sem deixar de contar com a experiência dos pais.
O tema foi trabalhado por ele no projeto Jovem SuperAgro. Rafael afirma que a mudança exige tempo e que os pais continuam contribuindo com trabalho, orientação e conselhos. Para o futuro, ele considera expandir a suinocultura e buscar melhorias constantes.
A permanência dos filhos, o casamento de um deles e a chegada das netas reforçaram, para Edi Vani, o significado do investimento. “O maior legado que a nossa família construiu é a união”, diz. Na propriedade, a sucessão é associada à continuidade das atividades e à convivência entre as gerações.



