Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Girassol prevê duplicar estrutura de sementes e elevar capacidade em 25%

Companhia estima crescimento de 5% em 2026 e planeja investir entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões na expansão do tratamento industrial.

Girassol prevê duplicar estrutura de sementes e elevar capacidade em 25%

A Girassol Agrícola planeja duplicar a estrutura de uma de suas principais unidades para acompanhar o avanço do tratamento industrial de sementes. O projeto deve elevar em 25% a capacidade da companhia, com conclusão prevista para 2027 e investimentos estimados entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões.

A expansão ocorre enquanto parte do mercado enfrenta excesso de estoques e capacidade instalada superior à demanda. Mesmo nesse cenário, a empresa calcula crescimento de 5% em 2026, sobre o faturamento de R$ 1,1 bilhão registrado em 2025.

Tecnologia ganha espaço no mercado

O tratamento industrial de sementes representa cerca de 15% da receita da Girassol com sementes. Mais de 95% dos produtos comercializados pela companhia para o próximo ciclo já contam com a tecnologia.

A consultoria Céleres identificou avanço semelhante no mercado de soja. Para a safra 2026/27, 53% das sementes comercializadas receberam tratamento industrial, ante 31% na safra 2021/22.

Rodrigo Campos Lopes, gerente de marketing da Girassol, atribui parte desse movimento ao maior conhecimento técnico dos produtores e à redução da diferença percebida entre o custo da tecnologia e os riscos da lavoura. “O tratamento industrial se tornou mais relevante no negócio dele”, afirmou.

As próprias sementeiras também passaram a investir no recurso para diferenciar seus produtos em um ambiente de competição maior e margens menores. A Girassol avalia estar cerca de cinco pontos percentuais acima da média do mercado nesse segmento e espera que a demanda continue avançando nos próximos anos.

Aplicação antes da venda

O tratamento industrial envolve a aplicação de fungicidas, inseticidas, nematicidas, micronutrientes e outros produtos diretamente nas sementes antes da comercialização. A finalidade é proteger a cultura durante o período mais sensível do desenvolvimento da planta, preservando a germinação e o vigor e reduzindo a exposição a nematoides, pragas e doenças.

A expectativa de um episódio de El Niño no próximo ciclo também reforça, na avaliação da empresa, a importância da tecnologia. Lopes afirma que o fenômeno tende a provocar períodos mais longos sem chuva em áreas do Cerrado e aumento das precipitações na região Sul. Nesse contexto, problemas como a incidência de nematoides podem ganhar relevância.

A diferença de preço entre o tratamento industrial e o tratamento feito na propriedade rural, conhecido como “on farm”, varia de 10% a 15%, segundo a empresa. Para Lopes, o custo adicional é compensado pelo desempenho da lavoura, e a tecnologia deixou de ficar restrita aos grandes produtores.

A companhia, porém, prevê dificuldades para o mercado de sementes nos próximos anos. Entre os fatores citados estão o custo do dinheiro, a capacidade excedente instalada e os efeitos do endividamento acumulado durante o ciclo de alta das commodities.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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