Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Menor oferta de fêmeas e demanda externa pressionam preço do boi

Retenção de matrizes e possíveis compras adicionais dos Estados Unidos e da China podem sustentar as cotações do boi e da carne bovina.

Menor oferta de fêmeas e demanda externa pressionam preço do boi

A redução no envio de fêmeas para o abate começa a limitar a oferta de gado bovino no Brasil, enquanto a demanda externa pode ganhar força. A retenção de matrizes para reprodução, estimulada pelos preços de bezerros e de outros animais jovens, tende a diminuir a produção de carne e abrir espaço para a valorização do boi gordo.

A participação das fêmeas entre os animais abatidos em unidades com registro de inspeção federal caiu de 44,7% em fevereiro para 32,1% em agosto. Em julho, o abate total de bovinos recuou 22%, enquanto o de fêmeas diminuiu 32%, conforme dados da Safras & Mercado. Para Júlio Barcellos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), já há retenção de matrizes e uma reversão inicial do ciclo produtivo, movimento que pode se intensificar até o fim do ano.

Os contratos futuros negociados na B3 refletem a expectativa de preços maiores. Na sexta-feira (11), o vencimento de 30 de setembro fechou em R$ 358,55 por arroba. O contrato para o fim de outubro terminou em R$ 377,40, e o de janeiro de 2027, em R$ 385,30.

Demanda dos Estados Unidos e da China

Nos Estados Unidos, o governo anunciou a compra adicional de 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifa por 90 dias. A medida começou em 1 de setembro e prevê limite de 100 mil toneladas por mês, com produtos vendidos a preços 25% menores que os atuais. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), estima que o Brasil possa fornecer até 50 mil toneladas mensais.

Também existe a expectativa de retomada das compras chinesas no último trimestre deste ano. A estratégia seria embarcar a carne ainda em 2026, para chegada em janeiro e contabilização na cota de 2027. Para o Brasil, a China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa adicional de 55%; a cota deste ano estava praticamente preenchida no fim de julho.

A possível retomada chinesa também influencia o confinamento. Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, avalia que produtores devem reduzir essa atividade no terceiro trimestre e concentrá-la no quarto trimestre, quando a demanda da China é esperada novamente.

Desde o início do mês, o preço do boi gordo permanece praticamente estável nas principais praças pecuárias. Em Araçatuba (SP), a arroba estava em R$ 345 na sexta-feira (11), mesmo valor do começo de setembro, acumulando alta de 10,6% no ano. O indicador Cepea/Esalq ficou em R$ 349,50 por arroba, com valorização de quase 1,5% no mês.

A alta, porém, pode ser limitada pelo consumo interno. Alcides Torres, da Scot Consultoria, afirmou que aumentos elevados poderiam levar consumidores a escolher carne de frango e outras alternativas. Fernando Iglesias também relaciona a elevação prevista à menor oferta doméstica.

A perda do mercado da União Europeia não deve impedir esse movimento, segundo Iglesias. O bloco responde por entre 3% e 4% das exportações brasileiras de carne bovina, embora tenha influência por ser considerado um mercado vitrine e por suas exigências poderem afetar outros compradores.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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