O mercado futuro do boi gordo abriu uma diferença relevante em relação aos preços físicos, movimento associado a especulações sobre a China. Na B3, o descolamento envolve os contratos de setembro, outubro, novembro e dezembro.
Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, afirmou que as escalas de abate ainda oferecem relativo conforto, principalmente para as indústrias de maior porte. No mercado físico, os preços permaneceram acomodados na quarta-feira (9), com variações entre as principais praças.
Em São Paulo, a cotação ficou em R$ 348,85, ante R$ 348,75 no dia anterior. Goiás registrou R$ 340,32, contra R$ 337,86. Em Minas Gerais, o preço recuou para R$ 337,24, depois de R$ 337,35. Mato Grosso do Sul passou a R$ 345,23, de R$ 344,66, enquanto Mato Grosso manteve R$ 330,08.
China e logística
Iglesias atribuiu a alta expressiva observada ao longo da semana a especulações sobre um possível retorno precoce da cota de importação chinesa, com uso de rotas marítimas mais extensas. Ele, porém, avaliou que a movimentação parece pouco provável do ponto de vista logístico por causa dos custos adicionais envolvidos.
No atacado, há expectativa de recuperação dos preços da carne bovina com a entrada dos salários na economia e uma possível aceleração da reposição entre atacado e varejo. A carne bovina ainda enfrenta a concorrência de frango e ovos, considerados mais competitivos no ambiente de consumo atual.
Para setembro, o cenário de vendas tende a continuar desafiador pela escassez de datas comemorativas e eventos capazes de impulsionar a demanda. Os preços foram de R$ 26,50 por quilo para o quarto traseiro, R$ 19,00 por quilo para o quarto dianteiro e R$ 18,50 por quilo para a ponta de agulha.




