A produção brasileira de carne suína deve alcançar 5,93 milhões de toneladas em 2026, alta de 4,8% em relação ao ano passado. A projeção foi divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (15/9) e considera a expansão do plantel de matrizes e os ganhos de produtividade.
As exportações devem avançar 6,49%, chegando a 1,58 milhão de toneladas. A disponibilidade interna também tende a aumentar, em 4,28%, para 4,36 milhões de toneladas. Para a Conab, o crescimento da oferta deve superar o ritmo da demanda doméstica e das vendas externas.
“A demanda doméstica e as exportações não cresceram na mesma intensidade [que a oferta]. Dessa forma, a disponibilidade interna tornou-se superior à inicialmente projetada”, comentou a estatal em documento sobre as perspectivas para a agropecuária em 2026/27.
A companhia também registrou quedas sucessivas nos preços do suíno vivo. Em algumas regiões, os valores atingiram, em termos reais, um dos menores patamares das últimas décadas. Mesmo com custos de alimentação relativamente favoráveis, a redução das receitas pressionou as margens, principalmente entre produtores independentes.
Para 2027, a estimativa é de crescimento de 3,7% na produção, que chegaria a 6,15 milhões de toneladas. As exportações devem subir 4,2%, para 1,65 milhão de toneladas, enquanto a disponibilidade interna teria alta de 3,6%, alcançando 4,52 milhões de toneladas.
Perspectivas para a cadeia
A Conab avalia que o aumento das vendas internacionais não deve reduzir a oferta no mercado interno. A estatal afirma que o reequilíbrio da cadeia dependerá de moderação no crescimento dos alojamentos e da continuidade da expansão dos mercados externos.
Entre os compradores, as vendas para as Filipinas superaram as destinadas à China. Japão, Coreia do Sul e Singapura também aparecem entre os principais mercados. Como as decisões sobre as matrizes demoram a repercutir no abate, a disponibilidade elevada pode persistir durante parte de 2027.
No mercado interno, a ampliação do consumo dependerá da recuperação da renda, de maior presença dos cortes no varejo e de estratégias para reduzir a concentração sazonal das vendas. A retomada das compras asiáticas e um eventual encarecimento da carne bovina poderiam contribuir para reduzir o excedente e recuperar os preços.



