BRASÍLIA — Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) divergiram publicamente, na sessão desta terça-feira, 15, sobre o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A medida foi tomada por André Mendonça depois da divulgação de relatórios internos de inteligência da corporação.
O plenário também analisa a possibilidade de abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes por relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Durante a discussão, Gilmar Mendes afirmou que a decisão de Mendonça poderia desestruturar a Polícia Federal.
Luiz Fux contestou a avaliação e classificou os relatórios de inteligência como uma “anomalia”. O ministro disse que os documentos representariam uma atuação de ministros do Supremo e criticou o envio de um documento apócrifo, além de mencionar uma suposta resistência da Polícia Federal a um integrante da Corte.
Referência a episódio de 2008
Na sequência, Fux citou uma situação ocorrida em 2008, quando Gilmar Mendes pediu ao governo Lula a demissão de Paulo Lacerda. À época, Lacerda chefiava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Fux afirmou que Gilmar havia atuado para retirar Lacerda do comando da instituição e relacionou o episódio à crítica feita pelo ministro à decisão de Mendonça. “Vossa Excelência atravessou aqui a avenida e foi lá pedir a demissão de um diretor da Polícia Federal, Lacerda”, disse.
Gilmar confirmou a iniciativa e respondeu: “Pedi a quem de direito”.
Lacerda acabou demitido depois do vazamento de um suposto grampo telefônico de uma conversa de Gilmar Mendes. No entanto, nunca foi comprovado que o ministro tivesse sido grampeado por ordem de Lacerda.



