Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Compras coletivas e menor endividamento orientam produtores no sudoeste goiano

Agricultores combinam redução de custos, práticas regenerativas e uso de capital próprio para atravessar a safra de soja 2026/27.

Compras coletivas e menor endividamento orientam produtores no sudoeste goiano
Foto: Divulgação

A compra conjunta de insumos permite aos agricultores de Rio Verde reduzir em até 30% o custo do pacote tecnológico, por meio do Grupo Associado de Pesquisas do Sudoeste Goiano (Gapes). A negociação coletiva dispensa a necessidade de empenho de garantias, considerando o histórico de inadimplência zero e de boa produção dos participantes.

O grupo reúne 43 produtores, responsáveis pelo cultivo de 200 mil hectares na região. Um instituto de pesquisas mantido pelo Gapes ajusta a dosagem dos insumos e define os períodos de aplicação. Paulo Buffon, integrante da organização, afirma que o trabalho reduziu o uso de produtos de maneira técnica, sem seguir uma fórmula única.

A iniciativa ocorre durante o plantio da soja 2026/27 em Goiás, sob os impactos do El Niño e com margens pressionadas pelos custos de produção. Buffon também utiliza compostos orgânicos e insumos biológicos para substituir parte dos adubos químicos e minerais. A adoção de plantas de cobertura é outra medida, porque contribui para diminuir a temperatura do solo e armazenar água para o plantio seguinte.

“Temos carregado margem zero e tivemos aumento de custos de produção. Ficou difícil fechar a conta”, diz o agricultor. Para ele, o produtor deveria priorizar a construção de um sistema mais resistente no longo prazo, e não apenas ampliar a colheita para obter recursos.

Menor dependência de empréstimos

Na Fazenda Santa Cândida, em Rio Verde, Renata Ferguson assumiu a operação há cinco anos, em um cenário de endividamento e contas desajustadas. A reorganização financeira levou a propriedade a custear as safras com recursos próprios e manter reserva de caixa. O financiamento bancário ficou concentrado nas máquinas.

A produtora afirma que quitou as dívidas e preservou a margem ao evitar uma expansão além do necessário. Parte dos 2,5 mil hectares cultivados recebeu práticas regenerativas. Em alguns talhões, o milho é plantado em consórcio com braquiária e recebe composto orgânico. A produção poderá obter prêmio de até R$ 6 por saca.

Ferguson também associa o manejo à conservação do solo e à expectativa de produtividade superior nas próximas safras. “Buscamos processos em que conseguimos gerar benefícios para a fazenda, para o solo e para a produtividade”, acrescenta.

Buffon adotou uma estratégia semelhante de redução da alavancagem. Há dois anos, deixou uma área de 2,5 mil hectares em Rio Verde porque o arrendamento passaria de 17 para 23 sacas de soja por hectare. Atualmente, cultiva 1,5 mil hectares próprios, comprados em 2018. As parcelas estão adimplentes e serão absorvidas pelo fluxo de caixa até 2028.

Mesmo com as contas equilibradas, o agricultor diz que há incerteza sobre os efeitos da reforma tributária em 2027. Para ele, os produtores precisam mudar a forma de administrar a atividade e ampliar a atenção à gestão tributária.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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