Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Brasil

O que ainda impede o Brasil de exercer plena autonomia

Miguel Daoud relaciona a independência nacional a avanços em educação, produtividade, tecnologia, instituições e planejamento.

O que ainda impede o Brasil de exercer plena autonomia

A independência política conquistada pelo Brasil não resultou, por si só, em autonomia para definir o próprio desenvolvimento. A avaliação é de Miguel Daoud, comentarista de Economia e Política, que aponta entraves persistentes em áreas como educação, produtividade, burocracia, segurança jurídica e planejamento.

O país dispõe de território, água, energia, biodiversidade, alimentos e minerais. Também criou um agronegócio tropical capaz de ampliar a produção em regiões antes consideradas pouco adequadas. Para Daoud, porém, essa capacidade não se converteu em prosperidade na mesma proporção: o Brasil exporta produtos com baixo processamento, compra tecnologia e conhecimento no exterior e agrega pouco valor ao que produz.

Dependência no campo e na indústria

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que a produtividade brasileira avança pouco desde o fim da década de 1970. Na análise de Daoud, esse quadro contribui para o crescimento reduzido, a renda limitada e a dificuldade de competir.

A dependência também alcança o agronegócio. Entre 85% e 90% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior, segundo o Ministério da Agricultura. Com isso, crises externas podem elevar os custos dos alimentos e reduzir a rentabilidade dos produtores.

O comentarista diferencia a eficiência dentro das propriedades das condições encontradas depois da produção. Problemas de logística, insegurança jurídica e crédito caro diminuem a competitividade obtida no campo. Para ele, o obstáculo não está na capacidade agrícola, mas nas estruturas que cercam a atividade.

Educação e instituições

A formação escolar aparece como outro ponto de dependência. No PISA 2022, 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingiram o nível básico em matemática. Daoud relaciona o resultado à falta de profissionais para uma indústria moderna e uma economia digital, além da maior necessidade de importar tecnologia.

O texto também critica a condução de conflitos institucionais. O caso Banco Master, em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), é apresentado como exemplo de dúvidas públicas sobre competência e imparcialidade antes de uma solução clara. Na avaliação do comentarista, a segurança jurídica depende do devido processo legal, da transparência e do respeito às atribuições de cada Poder.

Burocracia, excesso de regras, exceções e licenças também encarecem investimentos, segundo Daoud. Ele afirma que o país alternou governos, estabilizou a moeda, venceu a inflação e ampliou a produção, mas continuou sem enfrentar causas estruturais dos problemas.

Uma agenda de longo prazo

A proposta defendida por Daoud inclui educação, infraestrutura, ciência, tecnologia, produtividade, menor dependência de insumos estratégicos, equilíbrio fiscal, segurança jurídica e instituições submetidas a seus limites. Ele considera que essa agenda não pertence a um campo ideológico específico, mas corresponde a um projeto nacional.

Em 1822, a ruptura foi com Portugal. Em 2026, a tarefa apontada pelo comentarista é superar a acomodação, o improviso, o patrimonialismo e o mau uso dos recursos públicos. Nessa perspectiva, a independência deixa de ser apenas uma data comemorativa e passa a representar um esforço contínuo para remover obstáculos ao desenvolvimento.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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