A cachaça é reconhecida oficialmente como uma Indicação Geográfica brasileira e tem seu nome protegido desde o Decreto nº 4.062, de 2001. A denominação “cachaça”, assim como “Brasil” e “cachaça do Brasil”, não pode ser usada indistintamente para bebidas produzidas em outros países, segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A bebida, feita a partir da cana-de-açúcar, também se diferencia da aguardente de cana. A legislação brasileira exige, para a cachaça, a utilização do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar e o cumprimento de requisitos específicos de graduação alcoólica. Por isso, nem toda bebida destilada de cana pode receber esse nome.
Territórios reconhecidos
A relação entre a bebida e os locais onde ela é produzida também aparece nas Indicações Geográficas concedidas a determinadas regiões. Em julho de 2026, o INPI registrou como Indicação de Procedência a cachaça de alambique produzida no Circuito das Águas Paulista. A área reúne Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro.
Paraty (RJ), Salinas (MG) e Luiz Alves (SC) estão entre as regiões brasileiras que já possuem Indicação Geográfica para a cachaça.
O armazenamento é outro fator que influencia o resultado final. A madeira pode alterar a cor, os aromas e os sabores da bebida. Além do carvalho, são usadas espécies brasileiras como amburana, bálsamo e jequitibá. O período de envelhecimento contribui para a variedade de estilos encontrada no mercado.
Produção concentrada em Minas Gerais
O Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), registrou 1.538 estabelecimentos elaboradores no Brasil em 2025, espalhados por 844 municípios. Minas Gerais aparecia na liderança, com 564 unidades, seguido por São Paulo, com 230, e pelo Rio Grande do Sul, com 106.
O país tinha 8.379 cachaças registradas naquele ano. Minas Gerais também ocupava o primeiro lugar nesse levantamento, com 2.922 produtos, enquanto São Paulo contabilizava 1.185. No total nacional, os estabelecimentos mineiros correspondiam a 36,7% dos registrados.
Alcance comercial e exportações
A comercialização permanece ligada ao território de origem de parte da produção. Conforme o Anuário da Cachaça 2025, 35,9% do volume declarado foi vendido em um raio de até 100 quilômetros do local de fabricação. Outros 9,3% alcançaram uma área entre 100 e 500 quilômetros.
A parcela classificada como de comercialização nacional representou 32,2% do volume. Já 22,1% chegaram aos mercados nacional e internacional.
Em 2025, o Brasil declarou a produção de 234,4 milhões de litros de cachaça. As exportações somaram 7,95 milhões de litros destinados a 76 países, com receitas de US$ 17,07 milhões. A bebida é celebrada no Dia Nacional da Cachaça, em 13 de setembro.



