As exportações de aço de Minas Gerais para os Estados Unidos cresceram 15% em volume entre 2025 e fevereiro de 2026, mas a receita obtida com as vendas caiu 26%. Os dados fazem parte de um estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN).
No conjunto das vendas externas mineiras, o peso exportado aumentou 12%, enquanto a receita teve recuo de 1%. Para os Estados Unidos, a mudança foi acompanhada por uma alteração na composição dos produtos enviados: os embarques passaram a se concentrar mais em aços semiacabados, usados como insumo por siderúrgicas do mercado americano.
Em 2024, os semiacabados representavam 19% das exportações de aço mineiro para os Estados Unidos. Os outros 81% eram formados por produtos de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com o novo quadro tarifário, a participação dos semiacabados subiu para 53%.
As tarifas americanas de 25% sobre o aço global entraram em vigor no dia 12 de março de 2025. Depois, a taxa foi elevada para 50%. Com isso, Minas Gerais passou a vender uma quantidade maior de aço por um valor médio menor por tonelada, enquanto os produtos acabados buscaram outros mercados.
Exportações e importações
Os Estados Unidos continuaram relevantes para a siderurgia mineira. Em 2025, cerca de 20% das exportações de aço de Minas Gerais foram destinadas ao país, o equivalente a aproximadamente 351 mil toneladas. Parte das vendas foi redirecionada para outros mercados, principalmente na América do Sul. Suíça, Paquistão e Itália ampliaram as compras de aços longos e planos. Iraque, Bélgica, Catar e Índia ganharam relevância nas compras de tubos, canos e aços inoxidáveis.
No mercado nacional, as importações americanas de aço caíram 12,6% em peso em 2025. As compras dos Estados Unidos provenientes do Brasil recuaram 8,3%, para 3,7 milhões de toneladas. Mesmo com a redução, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, com 16,3% do total importado, atrás do Canadá e à frente do México.
O estudo também aponta aumento das compras externas de aço por Minas Gerais. Em 2025, as importações cresceram 17% e alcançaram 284 mil toneladas, a preços 11% mais baixos. A China respondeu por 54% do total, seguida por Indonésia, com 18%, e Japão, com 11%.
Para a FIEMG, o cenário exige acompanhamento permanente diante do avanço de medidas protecionistas, do excesso de oferta global, da pressão sobre os preços e do risco de práticas desleais de comércio.




