SÃO PAULO — Seis pessoas morreram após um prédio em construção desabar sobre uma casa na Penha, na zona leste de São Paulo. Entre as vítimas está uma criança. O caso ocorreu por volta das 2h de sábado, 12, na Rua Tequici. A estrutura tinha 12 andares e atingiu o imóvel vizinho.
Uma menina de sete anos e um homem foram resgatados com vida, com escoriações leves, e levados ao Hospital Municipal do Tatuapé. As buscas duraram quase 36 horas e envolveram mais de 70 bombeiros e militares, 22 viaturas e um cão farejador.
As outras seis vítimas eram três mulheres — uma delas grávida —, dois homens e uma criança. As identidades não foram divulgadas. O Governo de São Paulo informou que sete vítimas eram bolivianas e uma, paraguaia. Os corpos serão levados à Bolívia para o sepultamento.
Prisões e investigação policial
O 24º Distrito Policial, da Ponte Rasa, investiga o caso. A Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã de domingo, 13, Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, responsável pela obra. Ele foi levado ao 24º DP para prestar depoimento e permanece à disposição da Justiça.
Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável técnico pela obra, e Isis Brandão, mulher de Cristiano e sócia da construtora. Os dois são considerados foragidos.
A delegada Deidiene Fialho Costa Éboli afirmou que as prisões consideraram indícios de que o risco de desabamento poderia ser previsível e o fato de os responsáveis pela empresa não terem se apresentado espontaneamente para prestar esclarecimentos e auxiliar as buscas com informações técnicas. “Tememos também pelo risco de fuga e destruição de possíveis provas”, disse.
Histórico da obra
A Prefeitura de São Paulo informou que a construção começou em 2019 sem alvará e passou por fiscalizações da Subprefeitura da Penha. Foram aplicadas multas, incluindo uma de R$ 119 mil, e a obra foi interditada.
Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município obteve na Justiça uma liminar para interromper imediatamente os trabalhos. Um novo projeto foi apresentado em 2022. Em agosto de 2023, a prefeitura concedeu outro alvará, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 gerou um laudo que atestava o cumprimento da demolição. O documento é investigado pela Controladoria-Geral do Município. Segundo a apuração preliminar da prefeitura, checagens com moradores e imagens de satélite indicam que a demolição exigida não teria sido feita. A servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias.
A Defesa Civil afirmou que não era possível confirmar relação entre o desabamento e as chuvas registradas no momento do acidente. Em nota, a New Home declarou solidariedade às famílias, disse que a edificação estava regularizada administrativamente e afirmou que qualquer conclusão sobre as causas seria prematura. A empresa defendeu uma perícia técnica e citou a necessidade de investigar uma obra nos fundos do imóvel, com possível intervenção próxima às fundações.



