A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) encaminhou nesta terça-feira (29) um ofício à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com relatos de produtores sobre falta de óleo diesel, fornecimento irregular e preços elevados no estado. O documento foi apresentado ao superintendente de Distribuição e Logística da agência, Diogo Valério.
A entidade afirma que os Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs) têm imposto limites de volume, não garantido entregas e operado com abastecimento irregular. Segundo a Farsul, a situação é mais frequente com o diesel S500.
Relatos por região
Em Santa Bárbara, o diesel S10 era cotado a R$ 7,30/litro na bomba, sem disponibilidade de S500 para entrega nas propriedades rurais. Em Cruz Alta, os TRRs limitavam os pedidos e não asseguravam atendimento no curto prazo. Nos postos, o S500 custava, em média, R$ 6,89/litro, e o S10, R$ 7,10/litro, apenas para abastecimento dos veículos.
Glorinha e Gravataí tinham produto nos postos consultados. Para compradores sem cadastro, o limite era de 1.000 litros; com cadastro, poderiam ser autorizados volumes maiores. Em Caçapava do Sul, o TRR Fita Azul recebeu 10 mil litros de S500 para entrega imediata, a R$ 7,50/litro, com limite de 3 mil litros por produtor.
Em Pelotas, o S500 estava indisponível no TRR Coqueiro, enquanto o S10 era cotado a R$ 7,29/litro, com prazo de pagamento de dez dias. Em Rosário do Sul, as cotações informadas eram de R$ 6,89/litro para o S500 e R$ 7,09/litro para o S10.
Em Restinga Seca, o fornecedor Fuzzer indicou que poderia atender apenas metade do pedido de S10, e o S500 permanecia indisponível. Em Pedras Altas, não havia diesel para carregamento. O S500 não era fornecido havia tempo, e o S10 aparecia de forma esporádica, a R$ 7,55/litro. A Farsul também registrou aumento de R$ 6,02 para R$ 7,40/litro em uma semana e informou que a implantação de lavouras de arroz estava paralisada por falta de combustível.
Em Dom Pedrito, o fornecedor Quero Diesel operava com algumas restrições de volume. Em 29 de setembro, os preços eram de R$ 7,19/litro para o S10 e R$ 6,89/litro para o S500. Espumoso estava sem combustível no TRR Ipiranga; o último preço do S500 havia sido R$ 6,49/litro. Em Lavras do Sul, havia S10 a R$ 7,70/litro, mas não S500.
Na Região Noroeste, o S500 custava, em média, R$ 6,99/litro, com limite de 150 litros por abastecimento na bomba. O S10, com maior oferta, era vendido por cerca de R$ 7,10/litro. Nos TRRs, o fornecimento foi descrito como irregular e escasso, com pouca margem de negociação.
Pedido de providências
Para a Farsul, os relatos mostram diferenças entre as localidades: em algumas, há produto apenas nas bombas e em pequenos volumes; em outras, não existe previsão de entrega pelos TRRs ou os fornecedores atendem somente parte dos pedidos. A entidade afirma que a indisponibilidade do S500 é o problema mais recorrente e que a restrição afeta o preparo do solo, a implantação das lavouras, o funcionamento de máquinas e o transporte de insumos e da produção.
A federação pediu à ANP uma verificação imediata das condições de abastecimento no Rio Grande do Sul, com atenção à disponibilidade do S500, aos volumes destinados aos TRRs e aos postos, além das razões para as restrições, os limites e as diferenças de preços. Também solicitou informações sobre estoques, produção, distribuição, previsão de normalização e medidas de fiscalização.
Na terça-feira da semana passada (22), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que não havia indicativos concretos de falta de diesel no país. Sobre o Rio Grande do Sul, disse ter conversado com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que o tranquilizou sobre o abastecimento. De Paula afirmou ainda que, se o problema tivesse ocorrido, poderia se tratar de uma questão local acompanhada pela ANP e pelo Ministério de Minas e Energia.



